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Cúpula em Trinidad e Tobago sofre com estrutura precária

Sede da Cúpula das Américas, que começa nesta sexta-feira, foi escolhida por falta de opção

Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2009 | 09h03

Com um território do tamanho do Distrito Federal brasileiro e população equivalente à de Brasília, Trinidad e Tobago foi escolhido em 2005 para ser a sede da 5ª Reunião de Cúpula das Américas por uma razão inusitada. Em meio ao colapso desse fórum, em Mar del Plata, nenhum outro país se candidatou.

 

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Entre esta sexta-feira, 17, e domingo, sua capital, Port of Spain, receberá os chefes de Estado e governo de 34 países do Hemisfério e celebrará o primeiro encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com os líderes da América Latina e do Caribe. Mas, nos últimos dias, às vésperas do início do encontro, as delegações estrangeiras puderam sentir os atropelos causados pela organização precária de um evento internacional dessa magnitude.

 

O governo de Trinidad e Tobago estava ciente, desde o início, do desafio imposto pelo evento. Diante da rede hoteleira insuficiente, contratou dois navios de cruzeiro - Carnival Victoria e Caribbean Princess - para acomodar a imprensa estrangeira, representantes de organizações não governamentais e empresários.

 

A cúpula, além de promover o encontro dos líderes governamentais, abrange outros três fóruns de discussão - do setor privado, de jovens e da sociedade civil.

Assim mesmo, na terça-feira, diplomatas mexicanos demoraram quase duas horas para ingressar no navio onde estavam hospedados por causa de empecilhos criados pela organização.

 

No aeroporto, a sala onde as credenciais eram emitidas converteu-se num calvário para as delegações e os jornalistas. Muitos passaram o dia sentados ali, à espera do documento. Até mesmo funcionários do Itamaraty e do Palácio do Planalto foram expostos a essa situação. A razão desse transtorno foi simples - o escritório deu prioridade à emissão das credenciais dos mais de 1.000 membros da delegação americana, tarefa que levou ao colapso o sistema de informática. Nesta semana, o sistema de energia do centro de imprensa montado num edifício do governo sofreu uma pane.

 

Todos os presentes foram retirados do local, por temor de um incêndio. Em seguida, os jornalistas foram agraciados com uma bizarra orientação do governo de Trinidad e Tobago para a cobertura - não "tocar" nos chefes de Estado nem fotografá-los em situações que possam constrangê-los.

 

Embaraços

 

Para os chefes de Estado, a partir desta sexta, outros embaraços devem surgir. A organização do evento reservou apenas quatro salas no Hotel Hyatt, onde se dará a Cúpula das Américas, para os encontros bilaterais. Para utilizá-las, será aplicado o critério de quem pediu primeiro.

 

A segurança do evento não divulga quantos funcionários estarão envolvidos. Mas, Trinidad e Tobago recorreu a cada país vizinho de língua inglesa para que fornecessem pelo menos 20 soldados para ajudar na tarefa.

 

Trinidad e Tobago nada tem a ver com a imagem de república pré-industrial do Caribe. Trata-se de um arquipélago de 5.128 quilômetros quadrados que, sustentado pela produção e exportação de petróleo e gás natural, registrou significativas taxas de crescimento econômico nos últimos anos - 3,5%, em 2008, e 5,5%, em 2007. Seu Produto Interno Bruto (PIB), no ano passado, atingiu US$ 15 bilhões.

 

No ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), estava na 57ª posição, atrás somente do Chile, da Argentina, do Uruguai, das Bahamas, de Costa Rica e do México, entre os latino-americanos e caribenhos. O país tem apenas 1,3 milhão de habitantes.

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