Cúpula militar equatoriana renuncia após saída de ministro

Militares afirmam que não têm a confiança do presidente Correa, que os acusou de envolvimento com a CIA

Agências internacionais,

09 de abril de 2008 | 15h09

A cúpula militar do Equador apresentou sua renúncia nesta quarta-feira, 9, após a saída do ministro da Defesa, Wellington Sandoval, por considerarem que não gozam da confiança do presidente Rafael Correa, que recentemente questionou o trabalho dos serviços secretos do país.   Veja também:  Ministro da Defesa do Equador renuncia após crise sobre Farc   "Eu sinto, como chefe do Exército, que não existe confiança em quem está á frente da instituição, motivo pelo qual coloquei meu cargo à disposição do senhor presidente", disse a jornalistas em Quito o comandante do Exército, general Guillermo Vásconez.   Num anúncio separado, o presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Héctor Camacho, também disse a jornalistas que acabara de colocar seu cargo e dos máximos comandantes militares equatorianos da Exército, da Força Aérea e da Marinha à disposição de Correa.    Sandoval viu-se criticado recentemente devido à sua suposta falta de liderança dentro das Forças Armadas. Nos últimos dias, Correa questionou o trabalho dos serviços secretos do Exército e da polícia e denunciou uma suposta infiltração da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, por suas iniciais em inglês) nas instituições Equatorianas.   Na terça-feira, os principais comandantes das Forças Armadas do Equador requisitaram um encontro com o presidente a fim de discutir as críticas e, assim, "evitar colocar em risco a segurança e a estabilidade do país".   Os militares sempre desempenharam um papel importante no cenário político freqüentemente instável do Equador e deixaram de apoiar os três últimos presidentes eleitos no país antes de Correa. Todos os três acabaram depostos por ações do Congresso ou por distúrbios de rua. Mas os altos índices de popularidade do atual dirigente e os planos de reformar as Forças Armadas devem protegê-lo de qualquer tipo de retaliação militar, afirmam analistas.

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