Cúpula para Bolívia não será palco de radicalismos, diz Chile

Chávez volta a acusar EUA de tentativa de golpe contra Evo; líderes sul-americanos se reúnem em Santiago

Agências internacionais,

15 de setembro de 2008 | 16h05

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a acusar os Estados Unidos de tramar a queda do presidente boliviano Evo Morales, ao chegar nesta segunda-feira, 15, no Chile para uma reunião de emergência entre líderes sul-americanos pela crise na Bolívia. Por sua vez, em sua chegada à cúpula, o chanceler chileno Alejandro Foxley descartou a possibilidade de que o encontro se torne um palco para o protagonismo de posições radicais e intervencionistas, referindo-se aparentemente às últimas declarações do líder venezuelano.  A União Sul-americana de Nações (Unasul), que reúne 12 países da América do Sul, testará - pela primeira vez - sua capacidade para resolver conflitos regionais. Evitar os discursos inflamados de Chávez e chegar a um acordo que aproxime o governo e oposição boliviana são os desafios dos líderes sul-americanos - entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, que se reúnem nesta segunda no Palácio de la Moneda. "Aqui temos de ser muito claros", declarou Foxley ao Estado. "A Bolívia tem o direito de resolver seus problemas por ela mesma. O que queremos é criar espaço para o diálogo. Espero que prevaleça a sensatez", acrescentou. Veja também:Manifestantes saúdam chegada de Evo e Chávez à UnasulBrasil quer que texto da Unasul não cite EUA, diz jornalEntenda os protestos da oposição na BolíviaEntenda o que é a UnasulEnviada do 'Estado' mostra o fim dos bloqueios Imagens das manifestações  Chávez aproveita deterioração diplomática dos EUA  Chávez ordenou na semana passada a expulsão do embaixador americano em Caracas, em solidariedade a Evo, aliado próximo do venezuelano, em meio a uma profunda crise política no país mais pobre da América do Sul. "Estão tentando derrubar o presidente Evo Morales e a conspiração foi elaborada e apoiada pelo império dos Estados Unidos", disse Chávez a jornalistas no aeroporto internacional de Santiago. "Aqui estamos os presidentes dos governos da União de Nações Sul-Americanas para discutir, debater e ouvir o presidente Morales e para tomar decisões de apoio à democracia boliviana e à estabilidade na Bolívia", acrescentou. Todos os 12 presidentes dos países-membros da Unasul já estão reunidos em Santiago. Lula foi o último a chegar, às 15h45 locais. Chávez foi o penúltimo; ele entrou dois minutos antes de Lula, apesar de ter chegado a Santiago às 13h30. Evo foi o terceiro a chegar, depois do líder colombiano Álvaro Uribe e do paraguaio Fernando Lugo. 'Golpe' Ainda nesta segunda, Evo denunciou uma tentativa de "golpe de Estado civil e dos estados", e afirmou que a reunião da Unasul convocada pela presidente chilena, Michelle Bachelet, será importante para a unidade da América do Sul e do seu país. No Aeroporto Internacional de Santiago, Evo agradeceu a convocação da reunião e as "distintas manifestações dos presidentes sul-americanos a favor da unidade do meu país, a Bolívia." "Eu vim aqui para explicar aos presidentes da América do Sul sobre um golpe de Estado civil e estadual de alguns Departamentos (Estados), gestado nos últimos dias, com a tomada de instituições, saques, roubos a instituições do Estado, tentativa de assalto contra a polícia nacional, às forças armadas e ações terroristas que tentaram cortar os gasodutos", destacou Evo.  Segundo ele, a cúpula da Unasul servirá "para defender a democracia não apenas na Bolívia mas também em todos os países da América do Sul, da América Latina e do mundo. "Somos democráticos, mas também existem grupos que defendem a divisão da Bolívia", apontou o chefe de Estado da Bolívia. OEA O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, chegou pela manhã à Santiago e declarou que "a situação se agravou de verdade na Bolívia e chegamos a um ponto onde ou as hostilidades cessam imediatamente e se passa à negociação, ou a situação será irreversível. Por isso, é importante que sejam tomadas decisões." Insulza esclareceu que "é importante que todo mundo saiba que os organismos internacionais não estão em condições de intervir e dizer aos países o que eles precisam fazer. A decisão e os acordos precisam ser internos. Mas as organizações internacionais podem manifestar sua opinião e dar seu apoio e isso tem o seu papel", declarou. Bachelet convocou a reunião da Unasul porque o novo organismo, criado em maio, não pode permanecer "impassível" ante a onda de violência na Bolívia. Foxley disse que a Unasul e Insulza poderão levar à Bolívia a idéia da mesa de diálogo e "conversar com todos os setores que hoje em dia têm uma discussão, para que seja estabelecido um calendário para voltar à normalidade, acabar com a violência e tornar a negociação um elemento permanente nas próximas etapas de desenvolvimento da democracia boliviana."  (Matéria atualizada às 19 horas) (Com Roberto Lameirinhas, enviado especial de O Estado de S. Paulo no Chile)

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