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Cúpula supera diferenças e celebra tom de conciliação norte-sul

Países 'bolivarianos' não assinarão declaração, pela ausência de Cuba, mas até Hugo Chávez vê futuro acordo

Agências internacionais,

18 de abril de 2009 | 13h50

O presidente americano, Barack Obama, propôs uma nova parceira com os líderes da América Latina e Caribe neste sábado, 18, segundo dia da 5.ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, que já recebeu até a aprovação do líder venezuelano Hugo Chávez, um forte crítico de Washington. "Acho que estamos fazendo progresso na cúpula", afirmou o americano. Após a reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americana), Chávez mostrou um inédito tom conciliatório com os EUA. Ele disse que os países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) manterão o veto à declaração da Cúpula - sob a alegação de que o texto exclui Cuba, não convidada para o evento -, mas que "sem dúvida nenhuma" as relações da região, de Cuba e de seu país com os EUA melhorarão sob o governo Obama, "um homem inteligente."

 

 

 

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O presidente venezuelano, que neste sábado voltou a usar a tradicional jaqueta militar e camiseta vermelha, explicou que, pouco antes de começar a reunião, deu de presente ao líder americano o livro As Veias Abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano, com a dedicatória "Para Obama, com afeto". "Ele teve um gesto (na sexta-feira), se aproximou para me cumprimentar, então pensei: vou fazer um gesto igual, me aproximei e lhe dei o livro", que é um clássico da literatura de esquerda dos anos 70.

 

"Conversamos sobre temas muito importantes, assimilei algumas ideias, houve expressões, todas emolduradas no otimismo e na melhor das vontades para avançar", destacou Chávez. Apesar de ter ressaltado as diferenças entre Venezuela e Estados Unidos, "porque nós somos socialistas". No final do dia, Chávez propôs o nome do ex-chanceler Roy Chaderton para ser o novo embaixador venezuelano em Washington,  a fim de iniciar uma "nova era" no relacionamento entre os dois países.

 

Cuba

 

Cuba se tornou um dos focos principais da reunião dos 34 países. Na sexta-feira, Obama disse, durante seu discurso no início do evento, que estava disposto a "recomeçar" as relações bilaterais com a ilha. Pouco antes, a Casa Branca admitiu estar "impressionada" com a declaração do presidente cubano, Raúl Castro, na quinta-feira (de que está disposto a discutir sobre "tudo" com os EUA), mas disse esperar ações concretas - libertação de prisioneiros políticos e redução das taxas sobre remessas de cubano-americanos.

 

"Não quero apenas conversar só por conversar. Acredito que podemos mover as relações entre os EUA e Cuba numa nova direção", acrescentou Obama. Antes do início da cúpula, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou que derrubará uma resolução que excluiu Cuba da entidade em 1962, enquanto a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, elogiou a abertura de Raúl para o diálogo.

 

Lula

 

Neste sábado, os 34 presidentes participaram de três sessões plenárias, além de um jantar oficial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou à tarde os biocombustíveis estavam em sua agenda. Lula incitou os participantes a manter os compromissos contraídos em matéria energética e ambiental, apesar dos prejuízos causados pela crise mundial. "A crise não deve servir de desculpa para retroceder nos compromissos com tecnologias ambientalmente sustentáveis ou para abrir mão das fontes renováveis de energia", disse.

O presidente afirmou que em um mundo que precisa de combustíveis "renováveis, limpos e baratos", a América Latina tem muito a oferecer, pois é uma região que possui as condições meteorológicas e de terreno para produzir energia sem colocar em perigo a segurança alimentar. Dstacou que os biocombustíveis, menos poluentes que os fósseis, também são um "arma eficaz" na luta contra o aquecimento global, e ressaltou que o Brasil tem condições de compartilhar com outros países a tecnologia que desenvolveu há mais de 30 anos para produzir etanol.

 

Compromissos

Ao longo dos debates, os governantes se comprometeram a promover a prosperidade humana e reduzir os níveis de pobreza à metade até 2015.

Para isso, pediram ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para revisar e coordenar todos os programas de erradicação da pobreza até 2010. Nesta mesma linha, os níveis de desnutrição devem cair à metade em 2015.

Além disso, assumiram o compromisso de prevenir e erradicar até 2020 o trabalho infantil, e de eliminar o "trabalho forçado" até o próximo ano.

As nações também solicitarão ao Banco Mundial e ao BID que dobrem até 2012 os empréstimos voltados às micro, pequenas e médias empresas.

Quanto à saúde, o compromisso consiste em aumentar o gasto público em até 5% do Produto Interno Bruto até 2015, enquanto 1% do PIB deverá ser destinado a pesquisa e desenvolvimento.

Em relação à educação, os países estabeleceram duas metas para 2010: educação primária universal e uma taxa de educação secundária de 75%.

A sessão final de domingo da cúpula estará centrada em várias reuniões bilaterais e de Obama com grupos regionais, à espera de confirmar se a declaração final será modificada para que seja aprovada por todos os participantes.

Matéria alterada com novas informações às 21h

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