Damas de Branco comemoram prêmio Sakharov com Fariñas

Porta-vozes do grupo dissidente viajaram até Santa Clara para parabenizar o opositor

Efe,

21 de outubro de 2010 | 19h04

 Laura Pollán, porta-voz do grupo dissidente, posa para foto com Fariñas

 

SANTA CLARA- O dissidente cubano Guillermo Fariñas, laureado pelo Parlamento Europeu com o prêmio Sakharov, comemorou nesta quinta-feira, 21, a distinção com o grupo opositor Damas de Branco, que recebeu o mesmo prêmio em 2005.

 

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As porta-vozes da entidade, Laura Pollán e Berta Soler, viajaram de Havana até a cidade central de Santa Clara, onde Fariñas mora, para cumprimentá-lo pessoalmente após ele ter sido agraciado por defender os direitos humanos.

 

"Ante um acontecimento tão importante para a dissidência, como é esse Sakharov ao 'coco' (apelido de Fariñas), as Damas de Branco não podiam deixar de vir", disse Pollan à Efe, que saudou o opositor de 48 anos entre aplausos.

 

"Ele arriscou sua vida por nossos familiares e é nosso dever estar aqui. Se somos Sakharov, como não iríamos vir estar aqui com o próprio Sakharov?", perguntou a dissidente, após chamar Fariñas de "exemplo de patriotismo".

 

Pollan e Soler acreditam que o governo cubano permita que Fariñas viaje à França em dezembro para receber o prêmio, uma oportunidade que elas não tiveram quando o ganharam, em 2005.

 

Segundo Fariñas, todos os cubanos que receberam o Sakharov, inclusive o opositor Oswaldo Payá, doaram o dinheiro do prêmio à "causa democrática" em Cuba, e ele fará o mesmo, ainda que "sem publicidade".

 

Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação e promotor do "Projeto Varela", parabenizou Fariñas hoje por meio de um comunicado no qual afirma que "a Europa continua dizendo que os cubanos têm direito aos direitos".

 

Greve de fome

 

A mãe de Fariñas, Alicia Hernández, disse à Efe que seu filho "está contente e feliz porque conseguiu algo", mas confessou estar preocupada com a ideia de Fariñas de voltar a fazer greve de fome, como modo de protesto.

 

O jornalista independente e psicólogo iniciou em 24 de fevereiro um jejum que durou 134 dias, só abandonado quando o governo se comprometeu a libertar presos políticos após dialogar com a igreja católica da ilha.

 

Em 11 de março, Fariñas deu entrada em uma UTI, onde foi mantido com alimentação parenteral até 8 de julho, quando abandonou a greve de fome.

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