De olho em eleições, Bachelet trocará ministros no Chile

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, pretende reformular novamente seu gabinete de governo, afirmou um ministro chileno na segunda-feira. A medida ocorre no momento em que a coalizão de centro-esquerda liderada pela dirigente depara-se com sua mais difícil eleição presidencial em duas décadas. O anúncio apareceu um dia depois de o governo ter perdido terreno para a direita nas eleições municipais, e um ano antes do pleito presidencial que poderia tirar a atual coalizão do poder pela primeira vez desde o retorno do país à democracia, 18 anos atrás. "Ela (Bachelet) nos informou que, durante o mês de novembro, conversará com cada um dos ministros para decidir quem continuará e quem a acompanhará até o final e para resolver sobre as mudanças que deseja realizar", disse à Rádio Cooperativa o ministro chileno do Interior, Edmundo Pérez Yoma. Qualquer ministro que pretenda concorrer a algum cargo nas eleições presidenciais e legislativas do próximo ano deve abrir mão de seu posto até a metade de dezembro --um ano antes da votação. A coalizão Concertación, hoje liderada por Bachelet e que domina o Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (no poder de 1973 a 1990), ainda não escolheu seu candidato no pleito de 2009. A atual dirigente não pode reeleger-se. "O prazo para isso termina no dia 11 de dezembro. Não estamos falando sobre nada que seja iminente", afirmou Pérez Yoma, referindo-se à planejada reforma ministerial. Apesar de a coalizão governista ter aumentado seu número de vereadores nas eleições de domingo, a aliança de centro-direita (oposição) passou a ter um maior número de prefeitos. A votação foi tratada como uma prévia do pleito de 2009. Pesquisas de intenção de voto mostram o bilionário Sebastián Pinera, de centro-direita, liderando a corrida do próximo ano. A força da centro-esquerda diminuiu nos últimos anos em meio a conflitos internos, e muitos eleitores sentem que o governo vem cometendo erros. E isso apesar de o Chile ter uma das democracias e uma das economias mais estáveis da América Latina. A popularidade de Bachelet sofreu um revés nos últimos meses devido a um problema na reforma da rede de ônibus de Santiago (capital), a protestos algumas vezes violentos de estudantes contra uma reforma educacional e a preocupações com a criminalidade e a inflação (cuja taxa anual é hoje de cerca de 9 por cento, a mais alta desde 1994). Pouco depois de dois ministros terem renunciado, a presidente demitiu mais cinco integrantes do gabinete em janeiro, a fim de estabilizar seu governo. Em julho de 2006, apenas quatro meses depois de sua posse e logo que eclodiram manifestações estudantis, Bachelet já havia substituído dois ministros. (Reportagem de Rodrigo Martinez)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.