De senadora e primeira-dama a sucessora do marido

Vaidosa e ambiciosa, Cristina liderou ‘tropa de choque’ do governo de Kirchner no Senado

Ariel Palacios, correspondente do Estadão,

29 de outubro de 2007 | 01h26

"Uma rainha dourada de um país sem monarquia, uma fêmea indomável, inteligente, polêmica, transgressora e ambiciosa como nenhuma outra desde Eva Perón". Essa é a definição aplicada pela jornalista e biógrafa Olga Wornat à Cristina Elisabet Fernández Wilhelm de Kirchner, que estará no comando da Argentina nos próximos quatro anos.  Veja também: Veja galeria de fotos Perfil de Cristina Especial: as eleições argentinas Cristina Kirchner é eleita presidente argentina com 44% dos votos Candidatos argentinos reconhecem vitória de Cristina Kirchner Cristina Kirchner se declara vitoriosa e faz discurso às mulheres Oposição denuncia irregularidades nas eleições argentinas Ministro nega fraude em eleição na Argentina Cristina: 'Não sou Hillary nem Evita'  Ela sucederá seu próprio marido, Néstor Kirchner. "É uma sociedade político-amorosa quase perfeita", pontifica Wornat, autora da única biografia da primeira-dama, "Rainha Cristina". Os pontos em comum de Cristina, que nasceu no dia 19 fevereiro de 1953, com a "Mãe dos Descamisados", Evita Perón, (que havia falecido sete meses antes, em julho de 1952) são poucos. Os analistas ressaltam que a nova presidente não possui o carisma da esposa do general Juan Domingo Perón nem sua capacidade de mobilizar as massas. Mas, sustentam que entre os pontos comuns estão o autoritarismo, a vaidade e a intolerância com as críticas.  Cristina acorda cedo diariamente. Toma o café da manhã, lê os jornais, sublinha com uma caneta os assuntos mais importantes e depois passa duas horas fazendo ginástica entre esteira, pilates e os patins. Depois da sessão de fitness, senta à frente do espelho e inicia 40 minutos de maquiagem. "Nunca saio de casa sem estar maquiada", afirma. As más línguas afirmam que ela passou por várias cirurgias estéticas e aplicações de botox. Cristina nega que as tenha feito. Mas, semana passada, em declarações ao Canal Cinco, afirmou que não descarta realizá-las no futuro. No Senado, onde nos últimos quatro anos e meio foi a "tropa de choque" do marido, a senadora Kirchner conta com assessores que caminham apressadamente poucos passos na frente dela para abrir as portas. Seus colegas, que suportam seus ataques de ira e seu estilo de confronto a apelidaram - em francês - de "Madame Guillotine" (Madame Guilhotina).Fora do Parlamento, é freqüentemente denominada de "La Pingüina" (A Pingüim-fêmea), em referência ao apelido do marido, "El Pingüino" (O Pingüim), por suas origens patagônicas. Em Santa Cruz, a província onde fez a maior parte de sua carreira política é também chamada de "La Bruja" (A Bruxa). Mas, seu apelido preferido - e que segundo seus críticos ilustra bem sua personalidade - é o de "Rainha Cristina", título do filme protagonizado há 70 anos por Greta Garbo que relata a vida da determinada rainha sueca do século XVII.  Anos atrás, o rei Juan Carlos I e a rainha Sofia da Espanha, visitaram a Argentina. Os Kirchners os levaram até a geleira Perito Moreno, no extremo sul do país. Um grupo de jornalistas, atrás de um cordão de segurança, gritou: "rainha, rainha! Por favor, algumas palavras para a imprensa!". Cristina Kirchner, que estava de costas, rapidamente virou e perguntou: "Qual rainha? Qual das duas?". Cristina é definida pelos analistas políticos como "populista". Mas define a si própria como "progressista". Ela própria declara-se admiradora de Evita Perón e de Hillary Clinton. Mas, indica que não se parece a nenhuma das duas. A futura presidente casou-se com o atual presidente em 1975. Ela tem dois filhos. Máximo, nascido em 1976, cuida dos negócios da família no sul do país. Florencia, uma adolescente nascida em 1990, mora com eles na residência de Olivos. Na Casa Rosada, ela ocupou desde 2003 uma sala ao lado do escritório do marido. A partir do 10 de dezembro, Cristina mudará para a porta vizinha.

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