Dean chega ao México junto com promessas de ajuda da ONU

Furacão, que deve atingir a costa na categoria 5, expulsa turistas e deixa país em alerta para sua chegada

Reuters, Associated Press e Efe,

20 de agosto de 2007 | 20h45

O furacão Dean, que já matou nove pessoas no Caribe, chegou nesta segunda-feira, 20, a balneários mexicanos, ameaçando uma faixa litorânea que ainda se recupera do ciclone Wilma, há dois anos. Aproximando-se da península de Yucatán com ventos regulares em torno de 240 quilômetros por hora, o Dean deve atingir a categoria 5, o topo da escala, e chegará ao litoral na madrugada de terça-feira, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA. Enquanto isso, as agências da ONU se dizem preparadas para oferecer assistência aos países do Caribe afetados pela passagem do furacão Dean, afirmou nesta segunda a porta-voz das Nações Unidas, Michèle Montas. "Um (furacão) da categoria 5 é horrível, já passamos por um", disse Marcos Ruiz, 31 anos, funcionário do Departamento de Turismo de Tulum, México, referindo-se ao Wilma. "O vento é tão forte que não dá para respirar. Estamos muito assustados". Tulum, que recebe muitos turistas europeus, está particularmente em risco porque seus sofisticados hotéis são construídos junto a grandes praias. Rádios locais transmitem alertas também em idioma maia, para a população nativa que não fala espanhol. Dezenas de milhares de turistas estrangeiros fugiram da Riviera Maia, uma região com praias de areia branca e mar cristalino um pouco ao norte da rota do Dean. Cerca de 55 mil turistas fugiram de Cancún no fim de semana, mas o balneário desta vez não deve ser muito atingido, ao contrário de 2005. Na ilha de Cozumel, importante destino para mergulhadores, vitrines de lojas e restaurantes foram vedadas com madeiras, conforme os ventos vão ganhando força. Os últimos modelos feitos por computador indicam que o Dean vai cruzar a península do Yucatán, entrar na baía de Campeche e então atingir o centro do México. A costa sul dos EUA deve ser poupada. A ONU disse que nove pessoas já foram mortas pelo furacão, sendo quatro no Haiti. Esse é o primeiro furacão da temporada de 2007. Por sua vez, a companhia petrolífera estatal mexicana, a Pemex, anunciou a retirada dos trabalhadores que atuam nas plataformas de exploração do Golfo de Campeche e a suspensão da produção de petróleo na região. Furacões da categoria 5 são raros, mas em 2005 houve quatro deles, inclusive o Katrina, que devastou Nova Orleans. Alguns pesquisadores dizem que o aquecimento global pode contribuir com a intensificação dos furacões. (Reportagem adicional de Pepe Cortazar em Cancún, Ed Stoddard em Cozumel, Michael Christie e Tom Brown em Miami e Carlos Barria e Carole Beckford em Kingston) Suporte da ONU A ONU enviou alimentos, pastilhas purificadoras de água, remédios e voluntários ao local para ajudar as pessoas desabrigadas pelo furacão, que já deixou nove mortos na região. A porta-voz disse que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou as perdas materiais e de vidas humanas, e enviou condolências a parentes e amigos das vítimas. "A ONU está em contato estreito com os Governos dos países afetados e enviou uma equipe de especialistas em coordenação de avaliação de desastres", disse Michele Montas. Ela também acrescentou que a organização está preparada para ajudar nos trabalhos de assistências com outras medidas, como a entrega de verbas de emergência. Parte dessa ajuda será enviada à Jamaica, onde o "Dean" passou no domingo. Agora o furacão se dirige à Península de Iucatã, no México. A chegada é esperada nas próximas horas, já como ciclone de categoria 5 na escala Saffir-Simpson. Esse é o nível máximo e mais devastador, com ventos com mais de 250 km/h. Uma equipe de cinco especialistas em desastres foi enviada a Belize, onde o Governo estendeu o alerta ao litoral sul. O Centro Nacional de Furacões americano (NHC, em inglês) divulgou mais cedo que o furacão estava a 530 quilômetros a leste da capital, Belize City. Segundo Michèle Montas, as agências da ONU ajudaram a remover pessoas de área de risco no Haiti - que sofreu com a passagem do "Dean" neste fim de semana, junto com a República Dominicana - e deram abrigo a quase 5 mil pessoas. Além disso, a passagem do furacão pelas ilhas da Martinica, Santa Lúcia e Dominica causou estragos em tetos de casas, inundações e prejuízos no setor agrícola. Ilhas Cayman O furacão Dean passou bem perto das Ilhas Cayman nesta segunda-feira, mas não atingiu em cheio o arquipélago e seguiu sua marcha na direção do litoral caribenho do México. Os ventos do Dean abrangem no momento uma área de aproximadamente 195.000 quilômetros quadrados, quase o tamanho do Estado do Paraná. Às 12h de hoje (hora de Brasília), o olho do furacão encontrava-se 200 quilômetros a sudoeste de Grand Cayman, principal ilha do arquipélago. A sensação era de alívio nas Ilhas Cayman. O governo local anunciou que o território foi "poupado do ímpeto do furacão Dean". Mais cedo, o governo das Ilhas Cayman havia imposto um toque de recolher e retirado turistas do território britânico caribenho como parte dos preparativos para eventuais impactos do furacão Dean. O Dean, que arrancou árvores pela raiz, inundou estradas, destelhou casas e provocou a morte de pelo menos duas pessoas durante sua passagem pela Jamaica na noite de ontem, deveria chegar entre a noite de hoje e as primeiras horas de terça-feira à Península de Yucatán, no México. Ao longo dos últimos dias, durante sua devastadora e mortífera passagem pelo Caribe, o Dean já provocou a morte de pelo menos dez pessoas, inclusive duas na Jamaica. Não havia informações sobre vítimas nas ilhas Cayman. O Dean passou pela Jamaica na noite de ontem, mas não atingiu frontalmente a nação insular. Nesta segunda, o olho do furacão passou por uma área 160 quilômetros ao sul das Ilhas Cayman. No arquipélago, os ventos mais fortes chegaram a 92 quilômetros por hora. Meteorologistas previam 300 milímetros de chuva para as Ilhas Cayman. Autoridades locais recomendaram à população que procurasse abrigos contra o Dean, que nas primeiras horas de hoje era um furacão de categoria 4, com ventos sustentados de 241 quilômetros por hora. Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, o Dean pode ganhar ainda mais força e chegar a ventos sustentados de 249 quilômetros por hora nas primeiras horas da terça-feira, transformando-se num furacão de categoria 5, a mais mortífera e devastadora de todas.

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