Decisão de Fidel Castro foi madura, afirma Tarso Genro

Ministro da Justiça diz que 'saída de líder é sinal verde para a continuidade de debate democrático'

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo,

19 de fevereiro de 2008 | 11h43

O ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou nesta terça-feira, 19, que a decisão de Fidel Castro em deixar a presidência de Cuba após quase 50 anos no poder "foi madura".   Após 49 anos no poder, Fidel Castro renuncia Saída de Fidel é início de democracia, diz Bush Renúncia não retira caráter de mito, diz Lula Minha gratidão não tem limites, diz Dirceu Raúl Castro torna-se guardião da revolução Fidel volta a citar Niemeyer na renúncia Artigo publicado no Granma (em português) A trajetória de Fidel Castro  Principais capas do Estadão sobre Fidel  Guterman: como a história julgará Fidel?   'Dificilmente ele deixará de influenciar'  Você acha que o regime em Cuba mudará?   Fidel Castro: herói ou vilão?    "Não só porque sua situação de saúde apontava para sua retirada, mas também porque tudo indica que está em curso em Cuba um processo de renovação política e institucional e até rediscussão do processo da revolução", afirmou. O ministro considerou também a retirada de Fidel como "um sinal da continuidade deste debate. Acho apropriada, correta a sua disposição de sair do governo".   Para o ministro, ainda é cedo para avaliar se a saída de Fidel Castro representará uma "nova Cuba" no cenário mundial. "O que a gente tem acompanhado pela imprensa e pelo debate público é que se inicia uma discussão sobre a questão democrática em Cuba e mesmo sob a renovação da idéia socialista. É notório que Cuba, depois que perdeu apoio político e econômico da antiga União Soviética, passou por dificuldade brutais. É notório também que hoje a questão democrática no mundo, a questão do pluralismo, a discussão até dos processos revolucionários dentro de um espaço do estado de direito previsível, onde as forças políticas possam se expressar livremente, são questões mundiais. Portanto, são também questões cubanas."   Fidel, segundo o ministro, é "uma figura mítica da nossa época", assim como foi Nelson Mandela, ex-presidente da África do sul. E definiu Mandela: "foi um homem que soube renovar a revolução sul africana num momento adequado. Cuba, por outras circunstâncias, pelo cerco econômico comercial e militar que sempre sofreu, não fez esta transição. Quem sabe agora se esta transição agora comece", afirmou.

Mais conteúdo sobre:
Fidel CastroTarso Genro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.