Decisão sobre impostos ao campo será respeitada, diz Kirchner

Ex-presidente argentino foi orador em manifestação um dia antes do Senado discutir projeto tributário

Efe,

15 de julho de 2008 | 19h58

O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner afirmou nesta terça-feira, 15, que o governo argentino respeitará qualquer decisão do Parlamento sobre o projeto tributário imposto ao setor rural. O ex-chefe de Estado insistiu que o esquema de impostos móveis às exportações de grãos tem por objetivo "defender a mesa dos argentinos" e voltou a acusar o campo de querer "desestabilizar" o governo de sua esposa e sucessora na presidência, Cristina Fernández de Kirchner. Foto: AP Kirchner foi o orador principal de uma manifestação na praça em frente à sede do Parlamento, um dia antes de o plenário do Senado discutir o projeto tributário, que já tem o sinal verde dos deputados. Estiveram presentes no ato 300 mil pessoas, segundo os organizadores, e 95 mil, de acordo com fontes estatais extra-oficiais. "Aqui quiseram destituir o governo e desestabilizar à pátria", disse o ex-governante referindo-se ao setor agropecuário, que se preparava na zona norte de Buenos Aires para realizar outro grande ato contra a iniciativa oficial. Kirchner relacionou às patronais rurais com setores que impulsionaram o golpe de Estado de março de 1976 e disse que "falam de democracia, mas fecham estradas, desabastecem os argentinos, queimam os campos e agridem quem pensa diferente." O titular do Partido Justicialista convocou o povo a "ajudar" Cristina, a quem considerou "uma mulher com coragem, disposta a transformar o país". O ato contou com a adesão da Confederação Geral do Trabalho(CGT), a maior central sindical do país, cujos filiados abandonaram suas tarefas ao meio-dia desta terça para se juntar à manifestação governista. O conflito entre o campo e o governo começou em 11 de março, quando o Ministério da Economia ditou uma resolução pela qual criou impostos móveis às exportações de trigo, soja e milho. A rejeição ao novo esquema tributário gerou quatro greves comerciais, bloqueios de estradas, mobilizações e desabastecimento de alimentos e insumos para a indústria.

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