Defesa garante retorno de Noriega ao Panamá ainda neste ano

Ex-ditador panamenho deve ser extraditado para a França, onde é acusado de lavagem de dinheito

Associated Press e Efe,

28 de agosto de 2007 | 15h15

Os advogados do ex-ditador panamenho Manuel Noriega garantiram nesta terça-feira, 28, que o general estará de volta ainda este ano no Panamá caso seja extraditado para a França.   Veja também:  Juiz americano aprova extradição de Noriega para a França Noriega: de amigo da CIA a inimigo número 1 dos EUA   Condenado com base em acusações de tráfico de drogas em 1992, Noriega, hoje com 73 anos, deverá ser solto de uma penitenciária na Flórida em 9 de setembro.   O panamenho pretendia conseguir a autorização da justiça americana para retornar ao Panamá, mas a França quer julgá-lo por lavagem de dinheiro. Promotores locais acusam Noriega de ter lavado mais de US$ 3 milhões por meio de bancos e de aquisição de bens.   "O processo legal ainda não se esgotou e temos mais uma alternativa para conseguir que Noriega seja repatriado", disse Rolando Rodríguez, encarregado da defesa do acusado no Panamá.   A defesa ainda garantiu que já preparou um recurso nos Estados Unidos, impedindo a transferência de Noriega para a Europa. O acusado será libertado no dia 9 de setembro.   O Panamá, por sua vez, solicitou o retorno de Noriega ao país para que ele cumpra a pena de 60 anos de prisão por corrupção, assassinato e outras acusações.   Frank Rubino, advogado de Noriega, anunciou que pretende recorrer. "Posso assegurar a essa corte e a todo mundo: isso ainda não acabou", disse ele.   Na semana passada, um juiz americano qualificou Noriega como "prisioneiro de guerra", mas ressalvou que isso não o tornaria imune a ser extraditado para outros países.   Noriega argumenta que, pelas Convenções de Genebra, um prisioneiro de guerra deve ser devolvido a seu país de origem uma vez encerradas as hostilidades. Nesse caso específico, as hostilidades encerraram-se há duas décadas.   Os promotores federais americanos contra-argumentaram que prisioneiros de guerra com acusações pendentes devem enfrentá-las ou serem enviados a um terceiro país com tratado de extradição com os EUA, como é o caso da França.   Na audiência desta terça, Rubino contestou as verdadeiras intenções de Paris, citando um artigo publicado recentemente na imprensa panamenha segundo o qual um funcionário do governo francês diz que Noriega seria tratado como "prisioneiro comum", e não como prisioneiro de guerra.   O governo americano alega ter recebido, por meio de uma comunicação confidencial, garantias de que Noriega seria tratado pelos franceses como prisioneiro de guerra.   Noriega foi julgado e condenado nos Estados Unidos depois de ter sido capturado por soldados americanos que invadiram o Panamá em 1989 para tirá-lo do poder.

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