Delegação de Zelaya se diz pessimista no diálogo com Micheletti

Governo de facto resiste em devolver o poder; líder deposto critica a falta de autoridade da OEA

Reuters,

08 de outubro de 2009 | 13h26

Representantes do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disseram nesta quinta-feira, 8, que não têm muitas esperanças de chegar a uma solução para a crise política do país. A delegação de Zelaya continua reunida com o grupo do governo de facto, liderado por Roberto Micheletti, em um hotel em Tegucigalpa.

 

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Os enviados de Zelaya, que foi deposto em 28 de junho por um golpe de Estado, disseram que o governo de facto segue resistindo à ideia de restituir o líder deposto, contrariando os pedidos da comunidade internacional. "Estamos muito pessimistas, não vemos nenhum ambiente positivo na posição dos golpistas, eles não estão considerando a restituição de Zelaya ao poder", disse Juan Barahona, um dos representantes de Zelaya.

 

O encontro teve início na quarta-feira e tem a mediação de uma delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA). A reunião teve a discussão baseada nas propostas do Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa rica, Oscar Arias, cujos principais pontos sugeridos são a volta de Zelaya ao poder e a anistia de Micheletti.

 

O próprio líder do governo de facto nega a condição do tratado de Arias. "Já disse umas cem vezes, não me movo, não saio daqui, que ele (Zelaya) não insista" em voltar ao poder, disse Micheletti na quarta-feira durante a reunião com os chanceleres da OEA, chefiada pelo secretário-geral do órgão, José Miguel Insulza.

 

Crítica

 

O fato de a mediação da OEA não surtir efeito na posição de Micheletto irritou Zelaya, que criticou o órgão por não ter força o suficiente para mudar o cenário da crise no país. "A OEA abandonou o plano de Arias na metade do caminho e isso é um sinal de muita debilidade do órgão", disse o líder deposto ao diário mexicano Excelsior.

 

Zelaya, que enfrenta acusações de violar a Constituição e por atos de corrupção, antecipou um agravamento da crise caso ela continue com o calendário proposto pelo governo de facto com eleições marcadas para 29 de novembro. "Se foram impostas eleições com fraudes, a crise vai se aprofundar nos próximos dias", disse.

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