Departamentos bolivianos preparam autonomia e desafiam Evo

Governadores de quatro Departamentos apresentam estatutos autonômicos neste sábado; tensão é grande

CARLOS ALBERTO QUIROGA, REUTERS

14 de dezembro de 2007 | 16h20

Os governadores oposicionistas de quatro Departamentos (o equivalente a Estado) bolivianos confirmaram nesta sexta-feira, 14, sua decisão de proclamar no sábado a autonomia de suas regiões, desafiando o governo de Evo Morales, que chamou a atitude de ilegal e de ameaça à unidade nacional.   A apresentação dos estatutos de autonomia dos Departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando será o ponto alto da resistência das autoridades dessas regiões à nova Constituição, aprovada no domingo passado pela Assembléia Constituinte após uma manobra para antecipar a votação.   A nova Carta quer dar mais poder à maioria indígena do país e aprofundar a nacionalização dos recursos naturais, o que desagrada à oposição e à elite. Além disso, as quatro regiões autonomistas - as mais ricas do país - reivindicam maior controle sobre seus recursos, atualmente amplamente repassados à La PAz   Evo, aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez, manteve-se firme em sua posição e convocou uma passeata indígena e sindical para sábado em La Paz, para comemorar a nova Constituição - que ainda precisa passar por dois referendos nacionais antes de entrar em vigor.   "Respeitamos todas as mobilizações que estejam dentro das leis e da Constituição, incluindo as que defendem um estatuto autônomo inconstitucional, e queremos mandar uma mensagem de paz, de tranqüilidade", disse em tom conciliador Alex Contreras, porta-voz do governo.   Contreras reforçou a repórteres o convite do presidente para o diálogo com as regiões, algo que parecia pouco provável, em meio à intensa troca de farpas.     Santa Cruz   Líderes de Santa Cruz, motor econômico do país e reduto da direita opositora, denunciaram supostos planos da imposição de um estado de emergência, rumor que voltou a ser negado pelo governo.   Embora diga que não intervirá e nem declarará estado de emergência na região, o governo boliviano anunciou na quinta-feira que colocou o Exército em "alerta" para proteger a propriedade privada e pública em Santa Cruz.  Além disso, cerca de 400 policiais foram deslocados para a o Departamento, pois, segundo o Ministério da Defesa, é esta a coorporação que deve manter a segurança caso situação fique violenta.   Brasil e Argentina acompanham de perto o conflito boliviano, já que dependem da exportação de gás natural da Bolívia.   O governo de Evo já afirmou que os latifundiários só querem a autonomia regional para proteger seus interesses.   "Na nova Constituição a autonomia está totalmente garantida, mas na unidade do país ninguém mexe, a unidade do país não se discute, pela unidade do país não há nenhum referendo", afirmou Evo.

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