Depoimentos sugerem que estudantes desaparecidos foram massacrados no México

Depoimentos sugerem que estudantes desaparecidos foram massacrados no México

As declarações dos três detidos no caso do desaparecimento de 43 alunos há um mês e meio no México sugerem que os jovens foram massacrados e seus restos mortais carbonizados, um crime que abalou o governo do presidente do país, Enrique Peña Nieto.

REUTERS

07 de novembro de 2014 | 21h20

O promotor de Justiça, Jesús Murillo, mostrou testemunhos dos detidos, pertencentes a um grupo do crime organizado conhecido como "Guerreiros Unidos", que disseram terem se encarregado de cuidar de dezenas de pessoas, algumas das quais morreram de asfixia.

Em seguida, eles contaram como jogaram seus corpos em uma caçamba de lixo e fizeram uma grande fogueira com pneus e gasolina para queimá-los.

"As confissões que obtivemos mais o resto das investigações indicam muito lamentavelmente o homicídio de um grande número de pessoas na região de Cocula", disse Murillo, referindo-se ao município vizinho a Iguala, cidade onde os alunos desapareceram após um protesto em que foram detidos pela polícia.

"Os três detidos são membros do Guerreiros Unidos e nos depoimentos eles admitiram terem recebido e executado o grupo de pessoas entregue a eles pela polícia municipal de Cocula e Iguala", acrescentou o promotor em entrevista coletiva.

Estes restos mortais foram encontrados por investigadores e serão submetidos a exames de identificação na Áustria, afirmou. No entanto, o promotor disse que os estudantes ainda são considerados desaparecidos até que os resultados fiquem prontos.

Segundo as investigações, os jovens foram sequestrados por policiais municipais sob as ordens do ex-prefeito de Iguala José Luis Abarca para evitar que eles, de uma escola rural, invadissem um evento público de sua mulher, que aspirava ser a próxima prefeita.

Abarca, que foi destituído após o fato, e sua mulher, Maria de los Ángeles Pineda, supostamente operadores do grupo Guerreiros Unidos, foram capturados na terça-feira em um bairro pobre da Cidade do México, após semanas de buscas.

Milhares de pessoas têm realizado protestos em Guerrero, em outros Estados do país e na Cidade do México pedindo que os alunos apareçam com vida e que os responsáveis sejam punidos. Protestos também repercutiram em outros países.

Peña Nieto se reuniu na semana passada com os pais dos jovens estudantes e prometeu dar resultados.

Mais de 100.000 pessoas morreram na violência ligada ao crime organizado desde o fim de 2006, quando o ex-presidente Felipe Calderón decidiu enviar o Exército e a polícia federal para as ruas, causando fissuras em grandes cartéis e confrontos.

(Reportagem de Lizbeth Díaz)

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