Desafio é fazer operação de ajuda no Haiti funcionar, diz ONG

Meios de comunicação e transportes deficitários e falta de infraestrutura agravam catásfrofe humanitária

Gabriel Pinheiro, estadao.com.br

15 de janeiro de 2010 | 17h17

 

 

SÃO PAULO - Com a tragédia humanitária que castiga o Haiti, diversos países e milhões de pessoas enviam contribuições generosas para a população afetada. Mas agora, três dias após a tragédia, as organizações humanitárias enfrentam um novo desafio: fazer todo esse auxílio funcionar. "O que tem de particularmente grave nesta situação não é tanto o número de pessoas atingidas, mas a dificuldade em fazer funcionar rapidamente a operação de ajuda humanitária internacional", afirmou ao estadao.com.br a jornalista Simone Rocha, diretora-executiva da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Brasil.

 

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Isso porque os meios de comunicação e transportes estão deficitários, e o país que tem muito pouca infraestrutura e capacidade de resposta próprias, acrescenta Simone, que acumula experiência de trabalho em outros países com situações humanitárias grave, como Sudão, Chade, Afeganistão e o próprio Haiti, onde esteve em 2006 e ficou a impressão de um país "extremamente precário" em infraestrutura.

 

A ONG começou a trabalhar na assistência às vítimas com o estoque de suprimentos de emergência que já estava no local. "Como o Haiti é um país que todo ano sofre com catástrofes naturais, a gente tem um estoque importante lá. Isso foi o que nos permitiu trabalhar desde as primeiras horas do terremoto", continua.

 

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Desde então, Simone diz que os médicos tem trabalhado sem parar, "por mais de doze horas" diárias. Uma psicóloga brasileira se juntará ao grupo, para atender os próprios profissionais de saúde. Posteriormente, de acordo com a jornalista, mais psicólogos serão enviados ao Haiti, para atender a população. "Ninguém sai de uma tragédia dessas sem marcas", afirma.

 

O atendimento médico está sendo feito em tendas, já que toda a estrutura de saúde foi devastada. As equipes trabalham para manter as vítimas vivas, e os casos mais graves disputam a sala de cirurgia do hospital público que não ruiu, no bairro Cite Soleil. Segundo a diretora da ONG, mais de 2 mil haitianos já foram atendidos desde terça-feira pelos mais de 800 funcionários que estão no país. A eles se somarão outros 80 enviados como reforços.

 

No Brasil, os Médicos Sem Fronteiras receberam ligações de voluntários que querem ajudar na missão haitiana, mas Simone explica que não é possível aceitar novos integrantes dessa forma. "Tem que ter experiência em situações de emergências. As pessoas se oferecem para ir, mas a gente explica a necessidade de já ser do grupo e de ter essa experiência humanitária prévia."

 

 

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