Desertora afirma que desconhece laços de Chávez com as Farc

Karina diz que sua rendição foi 'duro golpe' para a guerrilha e nega ligação com a morte do pai de Álvaro Uribe

Agências internacionais,

20 de maio de 2008 | 13h34

A comandante guerrilheira colombiana Karina, que desertou das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assegurou nesta terça-feira, 20, que nunca soube de acordo do grupo com os governos da Venezuela e do Equador, segundo afirmou a agência France Presse. "Admiramos o presidente [venezuelano] Hugo Chávez, mas não conheci acordos, negociações ou qualquer outra coisa desse tipo com ele, até mesmo com o presidente [equatoriano] Rafael Correa", afirmou a líder em conversa telefônica com uma rádio local.   Veja também: Líder guerrilheira se entrega na Colômbia Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região     A dirigente das Farc disse ainda que sua rendição "foi um golpe muito duro" para a guerrilha, e anunciou que colaborará com a Justiça em troca de benefícios legais. A rebelde, cujo nome verdadeiro é Nelly Ávila Moreno, negou ser a autora dos inúmeros crimes atribuídos a ela. Há pelo menos 24 anos nas Farc, Nelly é acusada de participação no assassinato de Alberto Uribe, pai do atual presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, em 1983 - o que ela nega. "Não sei quem matou o pai do presidente", disse. "Não tenho as mãos sujas nesse caso."   "Essa fama foi criada pela imprensa. Às vezes, não se investiga bem e criam um estereótipo", disse a ex-comandante à rádio Caracol. Karina está em uma dependência oficial de Medellín, capital do departamento de Antioquia (noroeste), onde foi apresentada pelos órgãos militares e de inteligência estatal aos meios de comunicação.   Quando perguntada sobre os crimes que cometeu na guerrilha, se recusou a dizer quantos foram. "Darei essa informação às autoridades, vou colaborar com a Justiça", disse. Ela contou que entrou na guerrilha há 24 anos, porque "gostava de armas", e revelou que sua família foi vítima de violência. Karina também disse ter matado pessoas em combate, mas afirmou não ter cometido nenhum assassinato a sangue frio.   O governo, no entanto, acusa Nelly de ter comandado outros massacres. Um deles foi a tomada de um batalhão em Juradó, no litoral do Pacífico colombiano, em 1999, no qual morreram 25 soldados. Em 2005, ela chefiou um ataque à polícia na cidade de San Marino, no noroeste da Colômbia, que terminou com oito mortos.   Aos 40 anos, ela era comandante da Frente 47 das Farc, que chegou a ter cerca de 300 guerrilheiros e hoje não passa de 50. "Essa era uma das frentes mais ativas e mais violentas", explicou ministro do Interior e da Justiça colombiano, Carlos Holguín. O ministro afirmou também que Nelly estaria disposta a entregar outros membros do grupo. Ela pode entrar no programa do governo que beneficia com pena máxima de oito anos de prisão os guerrilheiros que confessam seus crimes.   Baixas da guerrilha   Negro Acacio (1/9/2007) - Responsável pelo negócio das drogas, é morto pelo Exército   Martín Caballero (25/10/2007) - Exército mata guerrilheiro acusado de extorsão, assassinato e seqüestro   Martín Sombra (27/2/2008) - Autoridades prendem um dos mais antigos líderes da guerrilha   Raúl Reyes (1/3/2008) - Ataque aéreo em território equatoriano mata o número 2 das Farc   Iván Rios (3/3/2008) - Foi morto por um camarada, que embolsou uma recompensa de US$ 2,7 milhões   Nelly Ávila (18/3/2008) - Conhecida como "Karina", rendeu-se ao governo no domingo

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