Diálogo com as Farc começará na Venezuela, indica Chávez

Proposta de iniciar negociações em território brasileiro, considerado neutro, ainda não foi cogitada por Caracas

Denise Chrispim Marin, do Estadão,

21 de setembro de 2007 | 09h06

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deu a entender nesta sexta-feira, 21, que a aceitação da proposta brasileira de cooperar nas negociações para a libertação de 45 seqüestrados em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ainda não foi cogitada e que as primeiras negociações, pelo menos, se darão em território venezuelano.   Veja também:  Fidel pode viver mais 100 anos, diz Hugo Chávez   Chávez declarou nas primeiras horas desta sexta que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.   Há pelo menos três meses, o governo brasileiro ofereceu seu território para que as negociações entre a equipe do presidente colombiano, Álvaro Uribe, e as Farc ocorram "se for necessário, se o governo colombiano fizer um convite e se for útil para esse processo", como ressalvou na quinta-feira o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.   O Palácio do Planalto não recebeu nenhuma indicação de aceitação da proposta por Bogotá, que aposta neste momento na intermediação do líder venezuelano.   O acordo humanitário prevê a troca de 45 seqüestrados pelas Farc, entre os quais a ex-candidata à presidência colombiana Ingrid Betancourt, por 500 guerrilheiros presos. As Farc exige a criação de uma zona desmilitarizada - proposta rechaçada por Uribe.   À imprensa, Chávez confirmou que terá um encontro com as Farc no próximo dia 8 de outubro, em um local ainda indefinido da Venezuela.   O presidente venezuelano indicou ainda que esse encontro será com Raúl Reyes, o braço direito de Manuel Marulanda, o líder máximo da guerrilha, ou com várias pessoas do secretariado dessa organização. Reyes, entretanto, é considerado o real comandante das Farc, enquanto Marulanda prossegue como o seu líder emblemático.   "Eu sei que essa será uma boa reunião e estou seguro que dela sairão opções. Creio que, além do acordo humanitário, a opção é encontrar um caminho para a paz na Colômbia", afirmou Chávez.   "Mais que liderança, é preciso esforço. Basta de fracasso. Tem de haver uma saída. Há algo imóvel e temos de dialogar com muito respeito a cada um dos atores."   Conforme explicou, o processo de aproximação do governo colombiano e das Farc, com vistas à negociação do acordo humanitário e da paz, é "tão delicado e tão complexo" que todos os possíveis intermediários devem apenas dizer que "estão à disposição" de Bogotá. Com exemplo, citou que o presidente do Equador, Rafael Correia, expressou também seu desejo de colocar-se à disposição caso seja necessário.   Questionado sobre prováveis resistências de Washington à sua intermediação nas negociações entre o governo Uribe e as Farc, Chávez insistiu que os Estados Unidos vêem a iniciativa com "bons olhos" e informou que receberá, nos próximos dias, as famílias de três americanos seqüestrados pela guerrilha.   "Não creio que os Estados Unidos estejam contra. Se estão, dissimulam com habilidade", afirmou, para acrescentar que receberá na próxima segunda-feira, em Caracas, o apoio do ator Kevin Space e de outros artistas americanos.

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