Diálogo convocado por Morales na Bolívia beira o fracasso

O diálogo nacional proposto pelopresidente da Bolívia, Evo Morales, para acalmar as tensõespolíticas no país estava à beira do fracasso, já que osgovernadores da oposição negavam-se a participar, recrudescendosua posição antigoverno. O diálogo estava marcado para a tarde de terça-feira, mascinco dos nove governadores convocados devem estar emWashington, numa missão de denúncia à OEA (Organização dosEstados Americanos) das condutas "ditatoriais" do presidente. O impasse acontece a apenas 11 dias da conclusão do prazopara a nova Constituição, que, segundo o governo, criará quatroníveis de autonomia regional e incluirá a reeleiçãopresidencial. O governo disse no fim de semana que também enviou umamissão à OEA para denunciar as atitudes "desestabilizadoras" daoposição de direita. "Desafiamos os prefeitos (governadores) para que assistam àreunião de terça-feira no Palácio do Governo e que esse diálogoseja transmitido pelos meios de comunicação", disse AlexContreras, porta-voz do governo, segundo a agência estatal ABI. Na cidade de Santa Cruz, capital do distrito homônimo quelidera a oposição à nacionalização da economia pretendida porMorales, o empresário Branco Marinkovic proclamou uma "luta semquartel", com uma onda de greves de fome. "Estamos mobilizados em defesa da democracia e contra osatropelos ditatoriais", disse Marinkovic, segundo emissoras derádio. Os governadores e os comitês cívicos dos departamentospetrolíferos de Santa Cruz e Tarija, e dos amazônicos Beni ePando, exigem que o futuro regime de autonomias só chegue aonível dos departamentos, não de municípios, regiões oucomunidades indígenas, como pretende o governo. A nova definição de autonomia faz parte do novo textoconstitucional, aprovado em linhas gerais há nove dias e que aAssembléia Constituinte precisa aprovar em detalhes até 14 dedezembro. A polêmica renda universal, equivalente a pouco mais de 300dólares ao ano, e que exigirá quase 200 milhões de dólares paraser paga em seu primeiro ano, já foi aprovada numa leipromulgada por Morales na semana passada. Os governadores da oposição não aceitam ceder parte de umimposto do petróleo para financiar as aposentadorias.

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