Diálogo em Honduras 'pode morrer', diz emissário de Zelaya

Negociador do líder deposto acusa governo de facto de não ter 'vontade política' para apresentar soluções

Efe,

20 de outubro de 2009 | 15h40

O diálogo sobre a crise política que Honduras vive desde o golpe de Estado de 28 de junho "pode morrer" se não surgir uma nova proposta de solução, disse nesta terça-feira, 20, Rodil Rivera, membro da delegação de negociação do presidente deposto Manuel Zelaya.

 

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"Se não houver uma proposta da outra parte, que só precisamos assinar, o diálogo pode morrer", disse Rivera. O processo de diálogo foi paralisado na noite da segunda-feira, quando a comissão de Zelaya recusou uma proposta da delegação do presidente de facto, Roberto Micheletti, encaminhada à mesa de diálogo com a decisão de que a restituição do líder deposto seria realizada com base nas decisões do Congresso e da Suprema Corte de Justiça.

 

Rivera reiterou aos jornalistas que a comissão de Zelaya não se retirará do diálogo, mesmo que considere que Micheletti tente ganhar tempo com suas propostas e não tenha "vontade política de resolver a crise". "Não nos retiraremos, nem declararemos o diálogo rompido", disse o representante, acrescentando que a delegação não impôs prazos para a volta das negociações.

 

O governo de facto sustenta que os militares destituíram Zelaya por acusá-lo de querer violar a constituição ao convocar uma Assembleia Constituinte para promover um terceiro mandato. O líder foi expulso para a Costa Rica e Micheletti assumiu um governo não reconhecido pela comunidade internacional.

 

Desde 21 de setembro, Zelaya está abrigado na embaixada brasileira de Tegucigalpa. O líder voltou clandestinamente a Honduras mesmo com mandados de prisão expedidos contra ele.

 

Otimismo

 

Ao contrário de Rivera, a Organização dos Estados Americanos (OEA) se mostra otimista em elação a Honduras. O enviado especial do órgão ao país, John Biehl, afirmou que não dá por fracassadas as negociações sobre a crise política no país e que mantém sua esperança por uma solução pacífica.

 

"Nunca daremos um diálogo por fracassado", disse Biehl, assessor do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e que lidera uma missão técnica do organismo que acompanha as conversas. "O diálogo está sempre aberto", disse Biehl à imprensa, e acrescentou que "não perdemos nem perderemos nunca a fé no que os hondurenhos estão fazendo".

 

"Apesar da estagnação, estou absolutamente convencido de que os hondurenhos vão se reconciliar, vão fortalecer sua democracia", disse.

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