Diálogo na Bolívia segue suspenso e oposição pede garantias

Opositores acusam Evo de perseguição; governo defende atuação da Justiça contra 'atos terroristas'

Efe,

02 de outubro de 2008 | 19h05

O diálogo político sobre a crise na Bolívia continua suspenso nesta quinta-feira, 2, por decisão dos opositores autonomistas, que exigem ao presidente Evo Morales garantias para retomar as negociações. Após 15 dias de conversas e poucos avanços, o diálogo está paralisado porque os opositores se negam a continuar negociando em meio ao que consideram um clima hostil e de perseguição por parte do governo em relação aos líderes e simpatizantes da causa autonomista.   Veja também: Governo Evo pede para opositores retomarem negociações Oposição boliviana suspende diálogo com Evo Morales Empresários bolivianos farão campanha contra nova Constituição Unasul chega à Bolívia para investigar mortes em Pando   A detenção no Departamento (Estado) de Tarija de um ativista, acusado de atentar contra um gasoduto durante os protestos de setembro, provocou a reação dos líderes autonomistas, que segundo reafirmaram nesta quinta, se sentem perseguidos e ameaçados pelo governo.   Branko Marinkovic, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz e um dos mais duros opositores a Evo, acusou nesta quinta o governo de "atropelar o estado de direito" pelas recentes retenções que realizou. Além disso, os opositores acusam o Executivo de descumprir um dos compromissos do acordo que tornou possível as negociações, relativo à cessação de medidas de pressão por ambas as partes durante o processo de diálogo.   Eles denunciam que, durante o diálogo, os movimentos sociais que apóiam Evo continuaram com suas medidas de pressão, como o cerco ao departamento opositor de Santa Cruz e o anúncio de uma marcha a La Paz a partir de 13 de outubro para exigir ao Congresso a convocação do referendo constitucional.   Os governadores opositores também reprovam o governo por ter mantido suas campanhas midiáticas, umas a favor do projeto constitucional governista e outras contra os dirigentes autonomistas. Assim, as mesas de negociações abertas no departamento central de Cochabamba não funcionaram hoje pela ausência dos opositores, que aguardam a "palavra oficial" e pessoal de Evo.   Apesar do presidente não ter se pronunciado ainda sobre a decisão dos governadores, vários ministros de seu governo insistiram nesta quinta nas chamadas para retomar o diálogo. No entanto, o governo defende a atuação da Justiça contra os "atos terroristas" cometidos supostamente por opositores contra entidades e infra-estruturas do Estado.   O porta-voz presidencial, Ivan Canelas, lamentou a decisão unilateral adotada pelos governadores e afirmou que o governo não violou os acordos anteriores ao diálogo. Governo e oposição conseguiram iniciar os diálogos para tentar resolver a atual crise na Bolívia em 18 de setembro, após várias semanas de conflito e violência no país.   Mortes   O capítulo mais grave da onda de violência aconteceu no Departamento de Pando, onde um choque armado entre autonomistas e camponeses governistas deixou vários mortos, quase todos partidários de Evo. Desde o início dos conflitos, o número de mortos mudou várias vezes nos relatórios do governo.   Cálculos iniciais falavam de 16 a 30, enquanto a imprensa local informava sobre 13 mortes. A violência em Pando levou o governo a decretar estado de sítio e a deter o então governador opositor, Leopoldo Fernández, que está detido em La Paz e cujos advogados apresentarão uma denúncia perante a Anistia Internacional pela suposta violação de seus direitos.   Além disso, as forças de segurança prenderam outras 14 pessoas por vinculação com os acontecimentos em Pando, que se encontram presas em um recinto militar do departamento de La Paz. A última detenção relacionada com os protestos autonomistas que ocorreram no sul do país foi a do ativista de Tarija acusado de atentar contra uma instalação de gás, que hoje também foi detido e levado para uma prisão de La Paz.   Os acontecimentos de Pando estão sendo investigados por uma comissão de vários partidos da Câmara dos Deputados, que definirá o grau de responsabilidade dos acusados, e por uma comissão da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

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