Diante do corpo de Chávez, venezuelanos prometem manter revolução

Com continências militares, punhos cerrados ou sinais-da-cruz, uma multidão de venezuelanos passou na quinta-feira diante do corpo do presidente Hugo Chávez, prometendo manter viva sua revolução socialista.

PATRICIA VELEZ E TERRY WADE, Reuters

07 de março de 2013 | 18h19

Uma enorme fila se formou na academia militar onde Chávez está sendo velado, num grande sinal de devoção popular ao homem que morreu na terça-feira, aos 58 anos, após quase dois anos de batalha contra o câncer.

Mais de 2 milhões de pessoas já prestaram suas homenagens. De soldados com fardas de campanha a oficiais em trajes de gala; de ministros a moradores de favelas - todos os que estavam na fila defendiam o legado de Chávez e manifestavam apoio ao sucessor apontado por ele em vida, o presidente-interino Nicolás Maduro.

"Cheguei de manhãzinha para ver Chávez. Ele é o meu ídolo pessoal", disse Henry Acosta, de 56 anos, em frente à academia onde o presidente, que era tenente-coronel da reserva, será velado até sexta-feira.

Aos prantos, Berta Colmenares, de 77 anos, dizia que os chavistas devem agora apoiar a candidatura presidencial de Maduro, para que ele leve a revolução adiante.

"Vou votar em Maduro, em quem mais? É ele quem Chávez escolheu, e temos de seguir seu desejo", afirmou. Pela Constituição, novas eleições presidenciais devem ser realizadas, e Maduro é amplamente visto como favorito.

O corpo de Chávez está fardado e com a boina vermelha que o caracterizava desde o frustrado golpe de Estado que deu início à sua carreira política, em 1992.

As pessoas tinham poucos segundos para observar o corpo dentro do caixão de madeira relativamente simples, com uma tampa de vidro e envolto em flores e numa bandeira nacional.

Uma fonte governamental disse à Reuters que Chávez entrou em coma na segunda-feira, e que morreu no dia seguinte, vítima de insuficiência respiratória, após um rápido agravamento do seu quadro no fim de semana, quando ele teve uma reunião de cinco horas com ministros.

O câncer havia se espalhado para seus pulmões, segundo a fonte, que pediu anonimato.

CLIMA ELEITORAL

Não se sabe ao certo quando as novas eleições acontecerão. A Constituição prevê que elas devam ocorrer em 30 dias, mas políticos dizem que as autoridades eleitorais podem não estar prontas a tempo, e há rumores de um adiamento. Chávez governou por 14 anos, e venceu quatro eleições presidenciais.

Maduro, de 50 anos, que foi motorista de ônibus e sindicalista, deve ser o candidato do chavismo contra o líder oposicionista Henrique Capriles, um governador centrista que já foi derrotado por Chávez na eleição presidencial de outubro último.

Membros da oposição se mantiveram discretos e ofereceram condolências durante a enorme manifestação de apoio a um dos mais populares líderes latino-americanos.

Alguns, no entanto, manifestavam alívio pelo fim de um homem que era acusado por alguns de governar de forma ditatorial e arruinar a economia. "Eu queria que seu mandato terminasse. O poder o fez perder a perspectiva", disse Israel Nogales, administrador universitário de 43 anos que caminhava por um parque de Caracas. "Ele polarizou o país e famílias com a minha (...). Ele vai ser tratado como um mártir, e isso é errado."

(Reportagem adicional de Simon Gardner e Marianna Parraga em Caracas, Rosa Tania Valdes em Havana, Helen Popper em Buenos Aires, Daniel Bases em Nova York)

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