Ernesto Mastrascusa/EFE
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Díaz-Canel não crê que seja uma renúncia suprimir o termo 'comunismo' da Constituição

O texto provisório da próxima Carta Magna cubana menciona apenas o "socialismo" como política de Estado

EFE

17 Setembro 2018 | 01h12

HAVANA - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou neste domingo, 16, em sua primeira entrevista na televisão desde que assumiu o cargo em abril, que a eliminação do termo "comunismo" no projeto da nova Constituição do país não é uma "renúncia", por ele estar implícito no socialismo.

"Não o entendo como uma renúncia", respondeu Díaz-Canel, depois que a jornalista da emissora estatal venezuelana "Telesur", Patricia Villegas, perguntou a ele por que o texto provisório da próxima Carta Magna menciona apenas o "socialismo" como política de Estado, em contraste com o vigente, que diz "avanço para a sociedade comunista".

O presidente cubano se referiu às ideias do filósofo alemão Karl Marx, que propôs o socialismo como um passo prévio para se atingir a meta da sociedade comunista, ao argumentar que "comunismo e socialismo estão intimamente relacionados" e "qualquer dos dois termos implica o outro".

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Neste sentido, Díaz-Canel defendeu que, quase seis décadas depois de o atual sistema de inspiração soviética ser imposto sob a liderança de Fidel Castro, após o triunfo da Revolução de 1959, o país está hoje "mais perto da construção socialista, que é complexa e ampla".

Junto com a abertura parcial à economia privada e a eliminação de especificações de gênero no casamento, a eliminação da aspiração ao comunismo foi uma das mudanças de maior destaque do projeto da nova Constituição, que possivelmente entrará em vigor no final do ano, após o texto ser submetido a referendo.

O que não será modificado em relação à atual Constituição de 1976 é o poder absoluto do Partido Comunista de Cuba (PCC, único legal), que se manterá como a "força dirigente superior" do Estado, em uma tentativa de blindar o sistema, ao prevenir o surgimento de outras forças políticas.

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Sobre este assunto a jornalista da "Telesur" também pediu a opinião do presidente cubano, que se referiu à necessidade de manter a "unidade" contra supostos ataques externos, cujo objetivo é fragmentar a sociedade e a política do país.

"O inimigo da revolução cubana sabe que sua arma é fragmentar nossa unidade", alegou Díaz-Canel, em aparente referência aos Estados Unidos e aos dissidentes do regime, a maioria assentada e organizada na península da Flórida, onde possuem uma forte influência política.

Díaz-Canel afirmou que as gerações jovens do país "se identificam com a revolução e com o partido" e, portanto, são a favor do sistema que proíbe outras forças políticas além do PCC.

A entrevista exclusiva da Telesur com Díaz-Canel, supostamente gravada há dias atrás, gerou muito interesse em Cuba, ao ser a primeira concedida pelo presidente, de 58 anos, que no dia 20 de abril deste ano assumiu o comando do país substituindo Raúl Castro, que continua à frente do PCC até 2021. /EFE

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