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Diplomata brasileiro confirma sítio a embaixada em Honduras

Ao deixar prédio, encarregado de negócios confirma ataque com gás; Brasil faz rodízio de representantes

estadao.com.br,

26 de setembro de 2009 | 19h38

Ao deixar a embaixada para um rodízio de diplomatas, o encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em Honduras, Francisco Catunda, afirmou neste sábado, 26, que a sede diplomática está sitiada. Ele negou que a situação esteja normal, como afirma o governo de facto hondurenho, e confirmou que um funcionário da embaixada sentiu os efeitos de uma bomba de gás lançada contra o local.

 

"Está tudo sitiado, não temos telefone, estamos totalmente cercados, isolados", disse Catunda a jornalistas ao sair da embaixada, onde foi substituído neste sábado pelo ministro conselheiro do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lineu Pupo de Paula.

 

Catunda contou que ficou "cinco dias preso" e que teve que negociar sua saída da embaixada, onde se encontra o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, desde a segunda-feira passada, quando retornou ao país de surpresa quase três meses depois do golpe que o derrubou.

 

"Nada está normal", respondeu o encarregado ao ser questionado sobre declarações dadas na sexta-feira, 25, pelo presidente de facto, Roberto Micheletti, sobre a situação na sede diplomática. Micheletti assegurou que tudo corria com normalidade no local.

 

Catunda confirmou que foram sentidos na sexta-feira os efeitos de um gás tóxico que havia deixado algumas pessoas com irritações de garganta, como denunciou Zelaya.

 

"Realmente um de nossos funcionários sentiu isso (o gás)", sustentou o encarregado de negócios, confirmando a agressão ao território brasileiro.

 

Catunda manifestou, no entanto, que do lado de dentro "não há nenhum clima catastrófico, a embaixada está limpa, há equipes de limpeza e as pessoas estão bem".

 

O encarregado afirmou que o presidente deposto é "hóspede oficial" da embaixada e que não está a par do que Zelaya "faz ou dos contatos que ele mantém", ao lembrar que há no local 63 pessoas do grupo de Zelaya e quatro funcionários da sede diplomática, dois deles brasileiros.

 

"Nossa atuação é dar assistência logística, tratá-lo com educação, com cortesia, e sempre desejando que o ambiente na embaixada seja o mais calmo possível", afirmou.

 

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou na sexta-feira as "ações de intimidação" contra a embaixada brasileira, enquanto Micheletti negou que haja interceptação de ligações telefônicas da sede diplomática ou lançamento de gases em direção ao Edifício.

 

Com informações da Efe

 

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