Diplomatas argentinos têm até sexta-feira para deixar Honduras

A ordem é 'em estrita reciprocidade' a uma disposição similar por parte do Governo da Argentina

Efe e Marina Guimarães, enviada especial da Agência Estado ,

19 de agosto de 2009 | 21h21

O Governo de fato de Honduras, presidido por Roberto Micheletti, deu nesta quarta-feira, 19, até sexta-feira de prazo ao pessoal diplomático da Embaixada da Argentina em Tegucigalpa para deixar o país.

 

A ordem é "em estrita reciprocidade" a uma disposição similar por parte do Governo da Argentina ao pessoal diplomático da delegação hondurenha em Buenos Aires, informou a Chancelaria de Honduras em breve comunicado.

 

A declaração ressalta que "hoje a Chancelaria argentina deu prazo de até sexta-feira, 21 de agosto, ao pessoal diplomata hondurenho, para que proceda a se retirar do território desse país". "Em consequência, o Governo da República, em estrita reciprocidade, concede o mesmo prazo para que os funcionários diplomatas argentinos em Tegucigalpa, se retirem de Honduras", afirmou o comunicado.

A Argentina não reconhece o Governo de Micheletti, que assumiu a Chefia de Estado após o golpe contra o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho. A vice-chanceler hondurenha, Martha Lorena Alvarado, disse hoje à Agência Efe que as relações diplomáticas com a Argentina estão "na antessala de uma ruptura formal", porque o país não reconhece o Governo de Micheletti.

 

A chancelaria interina de Honduras afirmou em comunicado na terça-feira, 18, que os diplomatas da embaixada argentina em Tegucigalpa "encerraram suas funções em Honduras" e que eles receberão, "com base no princípio de reciprocidade, tratamento, prazos e facilidades iguais aos concedidos aos funcionários hondurenhos na Argentina". A Argentina é um dos países que condenaram o golpe de Estado e desconhece o governo 'de facto' liderado por Roberto Micheletti, instalado após a destituição do presidente Zelaya.

 

Os diplomatas e funcionários das áreas administrativa, técnica e de serviço da embaixada da Argentina em Tegucigalpa "receberão o mesmo tratamento, termos e facilidades concedidos aos empregados e funcionários hondurenhos da embaixada de Honduras em Buenos Aires", completa a nota.

 

Na semana passada, o Ministério de Relações Exteriores da Argentina anunciou a expulsão da embaixadora de Honduras em Buenos Aires, Carmem Eleonora Ortez Williams, "pelo apoio público que a diplomata deu ao governo de Roberto Micheletti". Na ocasião, a chancelaria argentina informou que a relação diplomática entre os dois países "será canalizada pela embaixada de Honduras nos Estados Unidos".

 

Em diversas oportunidades, a presidente argentina Cristina Kirchner expressou sua condenação ao golpe de Estado em Honduras e defendeu o regresso de Manuel Zelaya ao poder, deposto no dia 28 de junho passado por Roberto Micheletti.

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