Dirigente da esquerda mexicana critica 'absolutismo' de Chávez

A concentração de poderes pormeio da reforma constitucional é um erro do presidente daVenezuela, Hugo Chávez, que pode inclusive beneficiar adireita, disse na quinta-feira um dos principais dirigentes daesquerda mexicana. Chávez promove uma reforma constitucional que estabelece,entre outras coisas, o direito à reeleição indefinida dopresidente, a ampliação do mandato de seis para sete anos e asuspensão dos direitos constitucionais em caso de estado deexceção. "Penso que o presidente Chávez não deveria pensar em levaradiante sua proposta de socialismo do século 21, de socialismobolivariano, sobre a base de concentrar o poder absoluto",disse à Reuters Jesús Ortega, líder da ala moderada do Partidoda Revolução Democrática (PRD). "É um erro estratégico." O PRD é a segunda maior força política do México e aprincipal oposição ao governo conservador de Felipe Calderón.Ortega é forte candidato a se tornar presidente do partido naseleições internas de março. Ortega disse que a esquerda, que começou a ganhar terrenona América Latina a partir do final da década de 1990, deve seacostumar a alternar o poder com a direita. "(Chávez) está polarizando o país demais, e isso podetrazer o fortalecimento de expressões conservadoras e deexpressões de direita que se transformaram num obstáculo para odesenvolvimento social e o desenvolvimento democrático dopaís", afirmou. É necessário, segundo ele, que a esquerda entenda que seuavanço não é necessariamente irreversível e que amadureça paraalcançar um jogo político similar ao da Espanha, onde odireitista Partido Popular e o Partido Socialista OperárioEspanhol (PSOE) se alternam no governo nos últimos 25 anos. "Essa visão absolutista acho que não é a que convém", disseOrtega, referindo-se a Chávez. O PRD enfrenta fortes diferenças internas sobre como deveser a oposição a Calderón. O setor do ex-candidato a presidenteAndrés Manuel López Obrador, mais radical, acusa a NovaEsquerda, liderada por Ortega, de se aproximar do governo,violando a decisão do último Congresso do partido deconsiderá-lo ilegítimo, devido às suspeitas de fraude na épocada eleição.

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