Dirigentes rurais argentinos dizem que conflito não terminou

Os dirigentes rurais argentinosdisseram na quinta-feira que o prolongado enfrentamento com ogoverno por conta de um tributo sobre as exportações agrícolasnão está resolvido, apesar de o Congresso ter rechaçado namadrugada o polêmico projeto. Após quatro meses de greves, bloqueios de estragas emanifestações do setor, o Senado derrubou a medida naquinta-feira com a ajuda do vice-presidente --também presidenteda Câmara--, Julio Cobos, cujo voto negativo desatou uma crisepolítica. Apesar de o projeto que taxa principalmente a soja, ocultivo mais importante da Argentina, ser derrubado noCongresso, a resolução do governo que elevou o tributo em marçoainda está vigente. Os ruralistas confiam que a medida seráderrubada em curto prazo. "O conflito não está solucionado", disse a jornalistasMario Llambias, presidente das Confederações Rurais Argentinas(CRA). Alfredo De Angeli, da Federação Agrária Argentina (FAA)da província de Entre Ríos, disse: "Temos que continuar nasexigências". O ex-presidente e atual chefe do partido peronista, NéstorKirchner, disse na terça-feira que o governo da sua esposa,Cristina Fernández, respeitará a decisão do Congresso, aindaque não tenha dado novos sinais depois da votação. À noite, as entidades agropecuárias divulgaram umcomunicado sob o título "a República saiu fortalecida", ondeeles cobram a urgente revogação da controversa resolução e umdiálogo com o governo que inclua toda a problemática rural. Durante uma entrevista coletiva, os ruralistas disseram queo tributo atual sobre as exportações de soja fica entre 48 e 49por cento. Eles acrescentaram que não receberam nenhum chamadodo governo para negociar. A expectativa é de que os produtores recorrerão em massa àJustiça se o governo não derrubar a controversa medida aindavigente, a qual muitos especialistas consideraminconstitucional por ser atribuição exclusiva do Congresso. "Imagino que a derrubarão (a resolução), que não terão atorpeza política de seguir insistindo", disse a Reuters UlisesForte, vice-presidente da FAA. A presidente, que assumiu o cargo há sete meses, enviou emjunho a proposta ao parlamento em busca de apoio institucional,vê sua imagem afetada pela crise. A derrota no Senado se converteu em um duro golpe para ogoverno, mas os dirigentes rurais se mostraram moderados após avotação. "Somos otimistas. Nós não temos um problema dogmático comas retenções (impostos às exportações). Agora é preciso buscarconsenso no (Poder) Executivo e no Legislativo", disse Forte.

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