Disputa presidencial esquenta e Venezuela tem guerra de pesquisas

Os políticos venezuelanos acusam os institutos de pesquisa de manipular as sondagens antes da eleição de outubro, quando o presidente Hugo Chávez tentará a reeleição, ameaçando deixar a campanha eleitoral ainda mais suja.

BRIAN ELLSWORTH E EYANIR CHINEA, REUTERS

06 de junho de 2012 | 15h45

A maioria das pesquisas mais conhecidas do país mostra o candidato de oposição Henrique Capriles a mais de 15 pontos percentuais atrás do socialista Chávez, cujo apelo entre os pobres permanece forte mesmo que a sua antiga imagem de alguém cheio de energia e indomável tenha sido afetada pela batalha contra o câncer.

Capriles classifica os números negativos das pesquisas como obra de "mafiosos imorais" que manipulam os resultados em favor de Chávez. Um político da oposição disse que o governo considerou a possibilidade de usar fundos estatais para pagar despesas de viagem de dois peritos em sondar a opinião pública.

Mas não é apenas a oposição que reclama dos institutos de pesquisa.

Uma autoridade importante do Partido Socialista (do governo) acusou dois deles de colocar suas empresas a serviço de uma campanha mais ampla da oposição para declarar fraude e desestabilizar o país, caso Capriles perca.

Os institutos negam as acusações.

Embora políticos do mundo inteiro contestem rotineiramente as sondagens desfavoráveis, a "guerra das pesquisas" na Venezuela envolve ataques diretos à integridade dos peritos, esquentando ainda mais a campanha já repleta de injúrias.

Oscar Schemel, do instituto de pesquisas Hinterlaces, acusada por Capriles de publicar "pesquisas adulteradas", disse que a oposição deveria salientar os pontos fracos de Chávez, como alta criminalidade ou inflação, em vez de focar nos institutos.

"Quem se beneficia com a oposição se concentrando nas pesquisas e não nos assuntos centrais da campanha?", afirmou Schemel. "Parte da estratégia do governo é distrair a oposição e ele os distrai há quatro meses com a publicação de pesquisas."

A sondagem da Hinterlaces de abril mostra Chávez à frente por 19 pontos.

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