Dissidência cubana critica igreja católica da ilha em carta a Bento XVI

Dissidentes condenam papel dos religiosos no acordo para libertação de presos políticos

AP,

20 de agosto de 2010 | 19h35

HAVANA- Mais de cem dissidentes cubanos assinaram uma carta aberta ao papa Bento XVI criticando a gestão da igreja católica da ilha em um acordo para a libertação de presos políticos, gerando indignação do arcebispado cubano.

 

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A carta ao Pontífice, que expressa o desgosto de alguns dissidentes em relação ao acordo que alcançou a libertação de 52 prisioneiros, dos quais 26 já foram libertados e enviados à Espanha, começou a circular nesta sexta-feira, 20.

 

"Não estamos de acordo com a postura que a hierarquia eclesiástica cubana teve me sua intervenção pelos presos políticos, ela é lamentável e embaraçosa", afirmou o texto.

 

"Uma correta mediação sobre o tema haveria implicado os pedidos de ambas as partes e os conciliado. No entanto, a solução de exílio, aceitada pelos que estão há sete anos injustamente presos somente por suas ideias, só beneficia a ditadura", acrescentou.

 

Firmada por vários irmãos do dissidente Orlando Zapata Tamayo, morto após 85 dias de greve de fome por melhores condições nas prisões, a carta acusou a igreja da ilha de dar "apoio político" às autoridades.

 

26 dos 52 presos na repressão de 2003 conhecida como Primavera Negra aceitaram viver na Espanha e já foram enviados ao país. O restante do grupo, que quer continuar morando na ilha, ainda espera sua libertação.

 

Após tomar conhecimento da carta aberta ao papa, a igreja cubana a considerou "ofensiva".

 

"Quando a Igreja aceitou a missão de ser mediadora entre os familiares dos presos ou Damas de Branco e as autoridades cubanas, sabia que esta mediação poderia ser interpretada das mais distintas maneiras e provocar diversas reações: desde o insulto a difamação, até a aceitação e o agradecimento", afirmou um comunicado enviado pelo diretor da revista do arcebispado de Havana, Orlando Márquez.

 

Segundo os religiosos, a instituição não apoia tendências políticas e muitos deles ficaram indignados com a carta dos dissidentes a Bento XVI.

 

O anúncio da libertação dos 52 dissidentes ocorreu no começo de julho após uma reunião do cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, com o presidente Raúl Castro, mediada pelo chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos.

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