Dissidente cubano preso morre após greve de fome

Um dissidente cubano preso, Wilmar Villar Mendoza, morreu nesta quinta-feira no leste de Cuba em consequência de uma greve de fome de 56 dias e pelo o que outros opositores denunciaram como maus tratos por parte do governo, disse um ativista de direitos humanos na ilha.

REUTERS

20 de janeiro de 2012 | 17h50

Villar, de 31 anos, começou sua greve de fome pouco depois que foi preso em novembro, levado a julgamento e condenado a quatro anos de prisão por crimes como desobediência, resistência e contra o Estado, disse Elizardo Sánchez, da Comissão Cubana de Direitos Humanos.

Sánchez afirmou que Villar se uniu no ano passado a um grupo de oposição na província oriental de Santiago de Cuba chamado União Patriótica Cubana e havia sido um dissidente ativo desde então.

Ele foi colocado em isolamento sob condições difíceis, o que combinado com sua greve de fome provocou sérios problemas de saúde que levaram à sua morte, disse Sánchez à Reuters.

O ativista havia sido levado a um hospital na cidade de Santiago de Cuba em 14 de janeiro quando seu estado de saúde piorou, e ele morreu lá.

"Responsabilizamos de maneira categórica o governo cubano porque ele morreu sob o seu cuidado. Consideramos essa uma outra morte que poderia ter sido evitada", declarou Sánchez.

Um relatório do Human Rights Watch enviado à Reuters por email exige ao governo cubano uma maior liberdade política e respeito aos direitos humanos na ilha.

Cuba, que considera os opositores mercenários a serviço dos Estados Unidos, seu inimigo político, atraiu a condenação internacional quando outro dissidente preso, Orlando Zapata Tamayo, morreu em fevereiro de 2010, após uma greve de fome de 85 dias.

O governo cubano ainda não se manifestou sobre a morte de Villar, mas o blogueiro pró-governo Yohandry anunciou em seu site que "morreu o delinquente Wilmar Villar Mendoza".

Já a blogueira dissidente Yoani Sánchez difundiu a notícia da morte de Villar no Twitter e perguntou: "Quantos mais têm que morrer? Quantos mais?"

(Reportagem de Jeff Franks, reportagem adicional de Nelson Acosta)

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