Dissidente cubano volta à casa após prisão e hospitalização

O dissidente cubano Guillermo Farinas descansava em sua casa no sábado após ser preso e hospitalizado na sexta-feira devido a dores no peito, informou sua mãe.

REUTERS

29 de janeiro de 2011 | 17h13

Farinas e cerca de 15 companheiros foram presos enquanto marchavam em Santa Clara (270 quilômetros ao leste de Havana), em direção a uma estátua do herói da independência nacional José Marti, onde eles planejavam colocar flores para comemorar o 158o ano de seu nascimento.

Foi a terceira vez em poucos dias que o grupo foi detido por organizar protestos pacíficos.

"Chegamos em casa por volta da meia-noite. No hospital fizeram uma série de testes para descobrir por que meu filho estava sofrendo de dores no peito, febre e dor de cabeça," disse Alicia Hernández em entrevista por telefone.

"Guillermo está descansando. Os médicos disseram que ele deveria descansar e que eles iriam continuar os testes na próxima semana," disse Hernandez, uma enfermeira aposentada.

Farinas, de 49 anos, psicólogo e escritor, ganhou a atenção internacional no ano passado por uma greve de fome de 135 dias para exigir melhor tratamento para os presos políticos e a libertação dos que estavam doentes. Ele sofre de epilepsia e tem outros problemas de saúde.

Sua greve de fome foi após a morte na prisão do companheiro Orlando Zapata, durante uma greve de fome. Farinas foi internado e alimentado por via intravenosa, mas recusou alimentos sólidos até Cuba começar a libertar os presos políticos, como parte de um acordo com a Igreja Católica e com a Espanha.

Farinas, vencedor do Prêmio Sakharov de Liberdade de Pensamento do Parlamento Europeu, no ano passado, foi preso por seis horas na quarta-feira, quando ele e outros ativistas tentavam impedir o despejo de uma família de um prédio abandonado.

O grupo foi preso novamente na quinta-feira, enquanto marchava para a delegacia local, onde três associados, detidos naquela manhã, estavam sendo mantidos.

A principal organização de direitos humanos de Cuba afirmou no início desta semana que enquanto o governo cubano está liberando alguns presos políticos, a perseguição aos opositores foi reforçada, por serem considerados mercenários a serviço dos Estados Unidos.

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