Dissidentes cubanos pressionam governo por libertações

Dissidentes cubanos deram na segunda-feira 72 horas de prazo ao governo para libertar 13 presos políticos que rejeitaram a oferta de exílio, antes de tomarem novas medidas de pressão.

REUTERS

08 de novembro de 2010 | 18h57

Segundo os opositores, venceu no domingo o tempo de "três ou quatro meses" dado pelo presidente Raúl Castro à Igreja Católica para libertar 52 dissidentes presos na chamada Primavera Negra de 2003.

Trinta e nove foram libertados desde julho sob a condição de que deixassem o país, mas os 13 que recusaram a oferta de exílio continuam atrás das grades.

"Estamos dando 72 horas para então ver", disse Laura Pollán, líder do grupo de familiares de presos políticos Damas de Branco.

Laura, cujo marido Héctor Maseda é um dos 13 dissidentes ainda presos, não quis adiantar quais medidas serão tomadas quando vencer esse prazo.

Mas disse que esperavam obter alguma resposta do cardeal Jaime Ortega, o principal interlocutor de Raúl no processo de liberações com quem preveem se reunir na quarta-feira.

"O governo não está enganando as Damas de Branco, não está enganando e brincando com os nossos sentimentos, nem de nossos presos. Estão zombando da Igreja", afirmou.

A Igreja Católica disse, no entanto, que mantinha sua fé.

"Estamos à espera e desejando que se tomem as melhores decisões para aliviar essa ansiedade", disse à Reuters o porta-voz da Conferência de Bispos Católicos de Cuba, monsenhor José Félix Pérez.

"O fato de que ainda permaneçam 13 pessoas na prisão ... nos faz pensar que devem ser libertados em breve de acordo com aquela promessa", acrescentou.

O governo cubano vê os dissidentes como "mercenários" a serviço de seu inimigo Estados Unidos.

Raúl disse que nenhum dos opositores libertados desde julho foi preso por suas ideias, mas por delitos contra a segurança do Estado.

(Reportagem de Esteban Israel)

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