Dissidentes cubanos vêm raio de esperança com saída de Fidel

Dissidentes cubanos expulsos da ilha paraviver na Espanha há somente alguns dias afirmaram naterça-feira que a aposentadoria de Fidel Castro mudaria poucacoisa, mas que poderia tornar mais próximo um processo detransição para um regime democrático multipartidário. Omar Pernet, preso em uma ação repressiva de 2003 maslibertado no fim de semana após Cuba ter selado um acordo com aEspanha, reagiu de forma híbrida à notícia de que Fidel nãotentará regressar à Presidência da ilha caribenha. Ele se manteve no poder desde que depôs, em 1959, o ditadorFulgencio Batista. "Eu reagi com alegria pelo fato de o executor ter relaxadoseu controle", afirmou Pernet, um fragilizado homem de 62 anosde idade, que circulava por um quarto de hotel de Madri com umpar de muletas devido a fraturas que sofreu em um acidente decarro ocorrido quando era transferido de prisão, em 2004. "Apesar de Raúl estar no comando, ele (Fidel) continuará aintrometer-se", disse Pernet à Reuters, no hotel da regiãocentral de Madri onde se hospeda desde que chegou à Espanha, nodomingo. "Não há como ter certeza, mas talvez ele (Raúl) promova umapequena abertura política permitindo a participação demovimentos diferentes, de partidos diferentes", disse. Fidel, 81, não aparece em público desde que, há 19 meses,sofreu um problema de saúde não especificado. A AssembléiaNacional de Cuba deve nomear Raúl, o irmão mais novo dele, parasubstituí-lo na Presidência. Soldador e ativista independente dos direitos humanos,Pernet espera que Raúl Castro, 76, liberte agora os 55dissidentes que ainda continuam presos em Cuba. "Não sei se Raúl será tão obstinado quando ele (Fidel), masse ele for um pouquinho inteligente, ele os libertará",afirmou. Pedro Pablo Álvarez, outro dos quatro dissidentes quedesembarcaram em Madri no domingo, ficou surpreso com a notíciae reagiu com um otimismo cauteloso. "Ao menos o alto escalão deu sinais de que deseja umamudança. Até agora, não tínhamos nem mesmo essa esperança,"afirmou Álvarez, 60, à Reuters, em um quarto que dá vista parauma estátua de Cristóvão Colombo. "Temos de pensar com otimismo. Não podemos ficar imaginandoque, no caso de Cuba, marchamos sempre rumo ao desastre",acrescentou. "Acho que, dentro do governo cubano, há pessoas que amamCuba também, que percebem essas coisas", disse. Tanto Álvarez quanto Pernet acreditavam ser possível queCuba realize um processo pacífico de transição democrática."Tudo o que faltava era a disposição do governo", afirmouÁlvarez.

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