Dividida, Argentina acompanha decisão do Senado sobre casamento gay

Se lei for aprovada, país será o primeiro da América Latina a aprovar a união de homossexuais

Efe,

14 de julho de 2010 | 23h41

Manifestantes protestam a favor e contra união homossexual em frente ao Congresso

 

BUENOS AIRES- Milhares de pessoas se manifestaram nesta quarta-feira, 14, em frente ao Congresso argentino a favor e contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, cuja aprovação o Senado debate há horas em uma acalorada sessão.

 

Durante mais de seis horas de debate na Câmara Alta, dezenas de senadores expuseram suas opiniões sobre o projeto de lei impulsionado pelo Governo para legalizar a união homossexual.

 

Com argumentos pouco contundentes e em sua maioria carentes de bases legais, governistas e opositores protagonizaram uma discussão que se prolongou até tarde da noite e cujos resultados são imprevisíveis devido às divergências internas dos dois lados e às pressões políticas e religiosas.

 

Enquanto isso, a praça do Congresso, em Buenos Aires, se transformou nas últimas horas em cenário da divisão da sociedade argentina sobre a iniciativa.

 

Cartazes gigantescos com palavras de ordem como "Só homem e mulher" ou "Eu quero um papai e uma mamãe" estão nas mãos de grupos contrários ao casamento homossexual, que carregam imagens religiosas e rezam de terço na mão para pedir a rejeição à proposta governamental.

 

Logo ao lado, grupos de defesa dos direitos humanos e coletivos homossexuais reivindicam o casamento entre pessoas do mesmo sexo com palavras como "Tirem a batina" e "Tirem seus rosários de nossos ovários", apoiados por organizações governistas.

 

A lei "representaria o reconhecimento de todos os direitos que implica o casamento e também o acesso à igualdade perante a lei, que é uma ferramenta indispensável para conseguir a igualdade social", defendeu a titular da Federação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais da Argentina (FALGBT), María Rachid, em entrevista à Agência Efe.

 

Já Jorge Vertín, um dos manifestantes contra o casamento homossexual, está convencido de que "é um pensamento universal que só um homem e uma mulher podem casar. O casamento entre pessoas do mesmo sexo se trata de uma conduta desviada e que perverte a ordem natural", afirma.

 

Comentários similares foram ouvidos no Senado argentino, como o da senadora Sonia Escudero que, apesar de governista, rejeita o casamento homossexual por considerar que "a relação homem-mulher é fértil, a relação homossexual é estéril, e como é diferente é preciso dar-lhe uma regulação diferente".

 

No extremo oposto, Luis Juez, da oposicionista Frente Cívica, optou por apoiar ao governo porque, embora se apresente como "cristão", entende que "nem na Bíblia há um parágrafo onde Cristo fosse contra os homossexuais" e aposta por centrar o debate na modificação do código civil, "uma instituição laica, em um país laico".

 

O também opositor Arturo Vera, no entanto, diz não aceitar que "a união de heterossexuais e a de homossexuais é a mesma coisa".

 

Caso o Senado aprove a união homossexual, a Argentina será o primeiro país da América Latina a fazê-lo.

 

Apenas quatro cidades argentinas admitem a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Desde dezembro, pelo menos oito casais homossexuais se casaram no país mediante recursos judiciais, mas algumas uniões foram posteriormente canceladas.

 

A Lei de União Civil da cidade de Buenos Aires, aprovada no final de 2002, foi o primeiro antecedente no país e o primeiro reconhecimento dos casais homossexuais na América Latina.

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