Do Chile, Fujimori inicia campanha para o Senado japonês

Peru busca extradição para julgá-lo por corrupção e violação de direitos humanos

Toshi Maeda, da Reuters

12 Julho 2007 | 13h14

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori iniciou nesta quinta-feira, 12, em sua prisão domiciliar chilena, a campanha transcontinental por um lugar no Senado japonês, enquanto o Peru continua buscando sua extradição para julgá-lo por corrupção e violação de direitos humanos. Fujimori, um nissei com cidadania japonesa, iniciou a campanha política para a eleição de 29 de julho um dia depois de o juiz chileno Orlando Alvarez decidir contra a extradição para o Peru, citando a falta de provas contra o acusado. "O Japão enfrenta muitos problemas neste momento", disse Fujimori em um vídeo de campanha, em idioma japonês, gravado no Chile. "Coréia do Norte, diplomacia asiática, a brecha entre ricos e pobres. Como especialista em terrorismo e (ex-)presidente peruano, vou colocar minha experiência para um bom uso e resolver esses problemas sem falhar", prometeu. Dificilmente ele fará campanha nas ruas japonesas, já que o governo do Peru deve recorrer do veredicto contra a extradição, o que lhe obrigará a permanecer em Santiago até a conclusão do processo. Na semana passada, o chanceler japonês, Taro Aso, rejeitou um pedido do pequeno Novo Partido Popular, que patrocina a candidatura de Fujimori, para que Tóquio intercedesse junto ao Chile para permitir a ida do ex-presidente ao Japão. A empresária japonesa Satomi Kataoka, mulher de Fujimori, agradeceu, com lágrimas nos olhos, o apoio de simpatizantes no Peru e no Japão. "Soube da sentença pelo presidente na quarta, e fiquei transbordante de emoção", disse ela a jornalistas na quinta-feira em Tóquio. "Ele vai lutar pela eleição no Chile, e darei o máximo de mim aqui, embora eu não tenha experiência política. Quero dizer a todos sobre o que ele fez no Peru." Denúncias Fujimori se mudou para o Japão em 2000, quando seu governo sucumbiu às denúncias de corrupção e outros escândalos no Peru. Ali passou cinco anos, até viajar de surpresa a Santiago, onde foi detido. "Ele foi presidente e chefe de Estado por dez anos (1990-2000), e qualquer um tem de reconhecer suas qualidades de liderança e suas excepcionais habilidades políticas", disse o chefe da campanha de Fujimori, Shigeto Nagai, em entrevista nesta semana. Muitos japoneses o admiram pela firmeza demonstrada em quatro meses de cerco à casa do embaixador do Japão em Lima, em 1996-97, onde acontecia um sequestro político. Os cartazes da campanha mostram Fujimori erguendo os punhos em triunfo após o fim da crise. Mas essa admiração não necessariamente vai se traduzir em votos no fim do mês. "Acho Fujimori um homem impressionante. Mas não tenho certeza de que isso o qualifique a ser um político no Japão", disse o executivo aposentado Shigenobu Goto, 64. "Nem sabemos se ele pode vir ao Japão." A contadora de histórias profissional Kikuchio Kokontei, 50 anos, concorda. "Acho que Fujimori tem muitos problemas dele próprio para resolver. Como japonesa, acho que seria estranho votar nele quando ele não superou seus problemas em outro país." Ativistas japoneses de direitos humanos realizaram uma entrevista coletiva na quarta-feira dizendo que a candidatura de Fujimori é uma manobra para evitar o julgamento e pedindo ao governo japonês que o entregue ao Peru caso ele pise no país.

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