Doença de presidente da Argentina faz sindicatos baixarem tom

A doença da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, apaziguou o tom das reivindicações sindicais que vinham gerando tensões no governo, embora os trabalhadores mantenham suas campanhas por aumentos salariais e redução da carga tributária.

JULIANA CASTILLA, REUTERS

30 de dezembro de 2011 | 20h39

As reivindicações sindicais, um princípio de disputa interna e uma alta da inflação marcaram o primeiro mês do segundo mandato de Cristina, iniciado em 10 de dezembro.

Mas os sindicatos começaram a baixar o tom de suas queixas nesta semana, depois de o governo anunciar que Cristina tem câncer de tireoide, do qual será operada na quarta-feira. Os médicos são unânimes em prever excelentes chances de recuperação para a presidente.

"Sempre fomos muito prudentes. Não há nenhuma intenção de chegar a um enfrentamento com a presidente. Agora estamos todos preocupados pela saúde dela", disse a jornalistas o presidente do sindicato de trabalhadores têxteis, Jorge Lobais, ligado à central CGT.

"O resto a gente continua conversando, continua conversando com os setores, mas o mínimo que podemos fazer é abraçá-la e desejar-lhe toda a sorte do mundo."

Cristina deve ficar afastada durante cerca de 20 dias depois da cirurgia, e será substituída por seu vice, Amado Boudou. As férias judiciais e parlamentares de janeiro também devem contribuir para que os sindicatos reduzam sua agenda de reivindicações.

O poderoso setor sindical argentino é um tradicional pilar de sustentação do kirchnerismo, mas alguns dirigentes se sentiram preteridos na distribuição de cargos para o segundo mandato de Cristina, que privilegiou a ala juvenil do peronismo.

Depois disso, o presidente da CGT, Hugo Moyano, passou a fazer inflamadas reivindicações salariais e pedidos de desoneração tributária sobre os salários.

Antes do anúncio da doença de Cristina, algumas categorias -caminhoneiros, bancários e servidores do Judiciário, por exemplo- ameaçavam iniciar um movimento grevista, posicionando-se para as negociações salariais de fevereiro.

Preocupados com a fragilidade da economia global, os empresários insistem na necessidade de "moderação" na discussão salarial, posição que o governo demonstra apoiar.

Além da inflação, que economistas privados calculam em 25 por cento ao ano, reajustes nas contas de luz, gás e água, por causa do fim de subsídios públicos, devem aumentar a pressão dos sindicatos pelos aumentos salariais.

Os economistas dizem que a próxima negociação salarial será crucial para definir o nível de inflação que a Argentina enfrentará em 2012.

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