Dois ativistas da oposição venezuelana são mortos a tiros

Homens armados mataram a tiros no sábado dois líderes locais de partidos que apoiam o candidato presidencial da oposição venezuelana, Henrique Capriles, no pior ato de violência da instável eleição venezuelana que ocorrerá no próximo fim de semana.

ANDREW CAWTHORNE E DEISY BUITRAGO, Reuters

30 de setembro de 2012 | 12h45

O partido de Capriles, Primero Justicia, afirmou que os homens armados atiraram de uma van que, segundo testemunhas, era da companhia estatal do petróleo, a PDVSA, ou do gabinete do prefeito. Os assassinatos ocorreram durante um comício na região rural de Barinas.

O governo do presidente Hugo Chávez, que tenta a reeleição, confirmou as mortes e prometeu levar os autores dos homicídios à Justiça. O ministro do Interior, Tareck El Aissami, afirmou que as circunstâncias do ataque ainda estão sendo investigadas.

A Venezuela é cheia de armas, e os crimes são frequentemente citados como principal preocupação dos eleitores.

"Essa tragédia nos dá mais força e fé para lutar por uma Venezuela onde a justiça e a não violência reinem", afirmou o Primero Justicia, o partido de uma das vítimas.

Outras duas pessoas ficaram feridas, e houve seis prisões após o ataque contra uma carreata da oposição que foi bloqueada por partidários de Chávez, afirmou o Primero Justicia, em relatos não confirmados pela polícia ou outras autoridades.

"Estou muito triste com essas más notícias", afirmou Capriles pelo Twitter. A coalizão de oposição Unidade Democrática, que uniu os partidos de oposição do país, exigiu uma rápida investigação.

FIM DE CAMPANHA

Durante a campanha, Chávez mostrou novos projetos de infraestrutura em Caracas, enquanto Capriles o acusou de gastar o dinheiro do país com aliados estrangeiros.

Com as pesquisas inconclusivas, ambos estão tentando angariar os votos dos indecisos no que aparenta ser a eleição mais apertada do carismático líder socialista em seus 14 anos à frente da nação.

Apesar das duas batalhas contra o câncer desde meados de 2011, Chávez, de 58 anos, disse que está completamente curado e tentando recapturar sua antiga energia para ganhar mais seis anos no poder.

No sábado, ele inaugurou um monotrilho, depois inspecionou extensões do sistema de metrô e um bondinho nas regiões pobres de Caracas.

"Não estamos pensando em fazer dinheiro. Essa é a diferença com o capitalismo", afirmou Chávez em Petare, uma das maiores favelas da América Latina.

"O perdedor terá que ir até a lua e ver se consegue governar uma rocha lá, porque aqui a burguesia nunca voltará", afirmou Chávez sobre Capriles, que segundo o presidente representa a elite direitista insensível.

Capriles, um governador de 40 anos que tem uma visão política centrista e vê o Brasil como modelo a ser seguido pela mistura de livre mercado e políticas sociais ousadas, está cruzando a Venezuela o ano todo em uma extenuante campanha.

No estado de Falcón, Capriles acusou Chávez de fazer falsas promessas ao povo. "O governo prefere construir uma refinaria na Nicarágua, ou mandar petróleo e se preocupar com os cortes de energia em Cuba, mas não se importa com os blecautes aqui em Falcón", disse.

Dos seis mais conhecidos institutos de pesquisas da Venezuela, a maioria coloca Chávez à frente, mas também mostram Capriles crescendo nas últimas semanas, e dois o colocam na ponta. Investidores estrangeiros esperam que a oposição assuma o poder e encerre as nacionalizações e outras políticas radicais que polarizaram a Venezuela como nunca antes e tornaram Chávez um dos líderes mais polêmicos do mundo.

(Reportagem adicional de Brian Ellsworth e Deisy Buitrago)

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