Dois governadores da oposição saem após plebiscito na Bolívia

Líderes de Cochabamba e La Paz deixam o cargo depois de referendo revogatório de mandatos; Evo é reeleito

Agência Estado e Associated Press,

12 de agosto de 2008 | 14h38

Dois governadores de oposição a Evo Morales abandonaram os cargos depois de terem sido derrotados no referendo revogatório de domingo, enquanto outros quatro ratificados discutiam qual estratégia adotar para enfrentar o presidente boliviano. O governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, deixou o cargo para seu vice nesta terça-feira, 12. O de La Paz, José Luis Paredes, anunciou que deixará a função quando Evo designar seu vice.   Veja também: Evo segue na Presidência da Bolívia com 65% dos votos   Com 75% das mesas apuradas, Evo teve seu mandato confirmado por 65% dos bolivianos, 11 pontos porcentuais a mais do que quando foi eleito. Apesar de o resultado final ainda ser desconhecido, a expectativa é de que o referendo revogatório tenha mudado o equilíbrio de poder na Bolívia. Antes da votação, sete dos nove Estados bolivianos eram controlados pela oposição. Pelos resultados atuais, as projeções indicam que cinco ficarão com a oposição e quatro, com o governo central.   Reyes Villa vinha questionando a legalidade do referendo e antecipado que resistiria à destituição, mas nesta terça deixou o cargo, disse Jhonny Ferrel, seu principal assistente. As eleições regionais para determinar quem sucederá os governadores revogados pelos eleitores bolivianos ainda não têm data marcada.   Enquanto isso, quatro governadores que encaminham suas regiões rumo à autonomia, se reunirão na quarta para avaliar os resultados e definir uma estratégia política, disse à Associated Press Carlos Dabdoub, secretário de autonomia da prefeitura (Estado) de Santa Cruz.   Os prefeitos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, os mais ferrenhos opositores de Evo, anunciaram que acelerarão os processos de autonomia de suas regiões, qualificados como ilegais pelo governo central. Os estatutos de autonomia também foram aprovados no referendo de domingo. Os quatro, mais a governadora de Chuquisaca, Savina Cuéllar, se reunirão em Santa Cruz.   A principal bandeira dos governadores de oposição deve ser a insistência na devolução do Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos (IDH) aos Estados. Atualmente, o governo central boliviano utiliza os recursos arrecadados com a taxa para pagar uma aposentadoria universal a todos os idosos.   Dabdoub insistiu que, se Evo quer abrir uma negociação "sincera" com as regiões "terá que mostrar com atos". E isso, segundo ele, passa por devolver aos Estados o dinheiro hoje utilizado para pagar pensões aos aposentados. Ainda de acordo com Dabdoub, a negociação precisaria ser feita por com a ajuda de mediadores internacionais porque a oposição "não confia" em Evo.   O presidente anunciou na segunda-feira que convocará um diálogo com todos os setores uma vez que estiverem disponíveis os resultados oficiais do referendo, o que está previsto para a próxima semana.

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