Dois militares reféns morrem em poder das Farc

Guerrilha colombiana rejeita proposta de Uribe para libertar seqüestrados em poder do grupo

Reuters e Efe,

08 de agosto de 2007 | 13h38

Dois militares mantidos sob poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram mortos pela guerrilha. Os sargentos Jesús Alfredo Sol e Alexander Cardona, membros do Exército colombiano, morreram em condições não esclarecidas. Os dois foram levados pelo grupo no dia 25 de março.   Veja também:  Forças venezuelanas procuram Betancourt em zona de fronteira Mãe de Betancourt preferiria que filha estivesse na Venezuela A maior guerrilha de esquerda da Colômbia rejeitou uma proposta do presidente do país, Alvaro Uribe, de negociar um acordo de paz dentro de 90 dias sob a condição de libertar os reféns que mantém sob seu poder. A resposta das Farc e a morte dos militares afastam a possibilidade de iniciar negociações de paz e de conseguir a libertação de 49 reféns, entre os quais a ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt e três americanos. "Disseram-nos que eles estavam mortos, que iam nos entregar os corpos, que não sabiam quando, mas que iam entregá-los", afirmou Ana Lucia Marín, mãe do sargento Cardona. "Peço às Farc que, por favor, em um gesto humanitário, nos entreguem os corpos deles já que não respeitaram a vida deles", disse, aos prantos. Raúl Reyes, líder da guerrilha que na terça-feira à noite, respondeu pela Internet a um questionário do programa jornalístico Noticias Uno, descreveu a proposta de Uribe como uma "cortina de fumaça" criada para que o governo diminua a pressão referente a um acordo envolvendo a troca de prisioneiros. O presidente, que realiza uma agressiva campanha militar contra as Farc, anunciou na semana passada que estava disposto a libertar rebeldes da guerrilha detidos com a condição de que não tomassem novamente em armas e de que suspendessem sua participação em seqüestros e assassinatos. Mas Reyes repetiu que, a fim de ser selado um acordo capaz de garantir a libertação dos reféns e dos guerrilheiros, faz-se necessário que o governo retire o Exército e a polícia de uma região montanhosa de 780 quilômetros quadrados. Uribe nega-se a desmilitarizar essa área, argumentando que as Farc, formadas por 17 mil combatentes, buscam com isso, exclusivamente, reorganizar as frentes atingidas pela ofensiva militar e colocar sob seu poder os moradores da região. A postura obstinada de ambas as partes tem impedido a celebração de um acordo capaz de colocar fim ao drama dos reféns, alguns há quase dez anos no cativeiro. Deputados mortos Enquanto isso, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou ter realizado uma missão humanitária e confidencial a fim de recuperar o cadáver dos militares levados pelas Farc no Departamento de Valle del Cauca (sudoeste do país) e que morreram no cativeiro. O presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, monsenhor Luis Augusto Castro, disse nesta terça-feira que o processo para a entrega dos corpos dos 11 deputados colombianos mortos é complexo, mas "está num bom caminho". Ele acrescentou que não acredita que as Farc sejam contra a entrega dos corpos dos deputados a seus parentes para que se possa "realizar um enterro digno" e fechar o ciclo de luto. Há mais de quatro décadas, a Colômbia testemunha um conflito interno responsável por matar milhares de pessoas todos os anos. Nesse conflito, as Farc, consideradas uma organização terrorista pelos EUA e pela União Européia (UE), enfrentam as Forças Armadas colombianas.

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