J.L Pino/Efe
J.L Pino/Efe

Dois presos cubanos chegam a Madri e criticam governo da ilha

Prisioneiros libertados denunciaram repressão e violência contra a dissidência interna de Cuba

AP e Efe,

19 de agosto de 2010 | 17h42

MADRI- Os presos políticos cubanos Juan Carlos Herrera Acosta e Fabio Prieto Llorente chegaram nesta quinta-feira, 19, a Madri, e denunciaram uma onda repressiva do governo de Raúl Castro contra a oposição interna da ilha.

 

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Os dissidentes chegaram à capital espanhola acompanhados de cerca de 16 familiares. Eles serão hospedados temporariamente em um hotel de Móstoles, a cerca de 20 quilômetros de Madri.

 

Herrera garantiu que o começo das libertações desencadeou um "espiral de violência" contra a dissidência de Cuba. Em especial, denunciou o caso de Reina Luisa Tamayo, que, segundo o ex-preso, é hostilizada sempre que tenta visitar o túmulo de seu filho.

 

Reina é mãe de do dissidente e Orlando Zapata, preso na Primavera Negra de 2003 e morto em fevereiro passado, após 85 dias de greve de fome para pedir melhores condições nas prisões cubanas.

 

"Há um espiral de violência e repressão contra muitos dissidentes, que são detidos continuamente", disse Herrera. "Com os Castro não haverá democracia, não haverá nada.

 

Na mesma linha, Prieto recordou o caso de Tamayo e afirmou que a suposta abertura econômica não servirá para nada, se não vier acompanhada de mudanças políticas. Por isso, pediu que a pressão internacional contra Cuba não seja aliviada.

 

"o regime continua fechado, corrupto e militar", disse Prieto. "Sinto uma mescla de alegria por estar livre e de tristeza, porque nada mudou em Cuba".

 

"Somos tratados como terroristas, quando nosso único crime é defender a liberdade e os direitos humanos", afirmou Herrera. "Sofremos torturas. É um terrorismo de Estado o que há em nossa pátria".

 

Com a chegada desses dois presos acompanhados de suas famílias, totalizam 25 dissidentes cubanos libertados até agora e transferidos à Espanha nas últimas semanas.

 

Este processo de libertações é resultado do diálogo aberto em maio passado entre o Governo do general Raúl Castro e a alta hierarquia da Igreja Católica em Cuba, apoiado pelo Executivo da Espanha.

 

Os dois libertados, que passaram mais de sete anos na prisão, fazem parte da lista de seis dissidentes cuja libertação foi anunciada pela Igreja cubana na sexta passada.

 

Outros três - Marcelo Cano Rodríguez, Efrén Fernández Fernández e Regis Iglesias Ramírez - chegaram a Madri na terça. Espera-se que Juan Adolfo Fernández chegue na sexta, completando a segunda fase de libertações.

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