Arquivo/Reuters
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Dono da Globovisión foge da Venezuela após mandado de prisão

Guillermo Zuloaga disse em entrevista à sua emissora que não se entregará

AE, Agência Estado

16 de junho de 2010 | 18h47

Guillermo Zuloaga, proprietário da Globovisión, a última emissora de televisão importante da Venezuela a fazer críticas ao presidente Hugo Chávez, fugiu do país após a emissão de um mandado de prisão contra ele. A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 16, por Edith Ruiz, diretora de relações institucionais da emissora, acrescentando não saber do seu paradeiro exato.

Observadores se perguntam por quanto tempo mais o governo vai permitir que a Globovisión, sediada em Caracas, permaneça no ar, já que seu proprietário é agora um fugitivo internacional. Críticos do governo dizem acreditar que o fechamento da emissora, mesmo que temporário, possa favorecer o partido governista antes das eleições legislativas de setembro, que prometem ser bastante concorridas.

Na sexta-feira, as autoridades ordenaram a prisão de Zuloaga para que ele pudesse responder a uma acusação, feita um ano atrás, de irregularidades relacionadas a uma agência de venda de carros pertencente a ele e familiares. Zuloaga nega as acusações e as classifica de outro exemplo de "terrorismo judicial" do governo Chávez. Nos últimos dias, Chávez pediu publicamente a Zuloaga, uma das pessoas mais influentes do país, que se entregasse e disse que o empresário seria considerado inocente até que sua culpa fosse provada.

Na noite de segunda-feira, Zuloaga falou na Globovisión por telefone de um local não identificado e disse que não tem planos de se entregar a Chávez. "Eu cheguei à conclusão de que com minha rendição não estarei fazendo nenhum favor à Globovisión, ao país ou à minha família", disse.

Zuloaga chegou a ser detido em março por declarações supostamente "ofensivas e desrespeitosas" sobre Chávez num programa de televisão. Mas grupos de direitos humanos internacionais e a Organização dos Estados Americanos (OEA) pediram a sua libertação e o governo Chávez o soltou horas mais tarde.

Banco Federal

Em um caso que parece ter relação com a acusação contra Zuloaga, o governo tomou segunda-feira o controle de um banco de porte médio chamado Banco Federal, afirmando que ele não apresentava liquidez. O presidente da instituição, Nelson Mezerhane, é um importante investidor da emissora e críticos de Chávez dizem que essa ligação é a razão verdadeira pela qual o banco sofreu intervenção. Mezerhane, assim como seu parceiro de negócios, é conhecido por fazer declarações críticas a Chávez em público. Mezerhane também fugiu do país.

Durante seus 11 anos no poder, Chávez tem sido frequentemente acusado de tentar silenciar seus críticos fazendo acusações contra eles, de maneira que possa detê-los e colocá-los na cadeia. As informações são da Dow Jones

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