Dono de TV denuncia pressão de governo venezuelano

Policiais e militares invadem casa do proprietário de canal privado para buscar lote de carros 'oculto'

Agência Estado e Associated Press,

22 de maio de 2009 | 09h02

O proprietário do canal privado de notícias Globovisión denunciou na quinta-feira, 22, as pressões do governo do presidente Hugo Chávez para reprimir a única emissora aberta de oposição na Venezuela. "Estou muito tranquilo, ali não há nada para esconder", afirmou o presidente do canal, Guillermo Zuloaga, referindo-se à incursão de policiais e militares, entre outros funcionários do governo Chávez, em uma de suas propriedades em Caracas.

 

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O diretor da polícia judicial, Wilmer Flores Trossel, afirmou à imprensa que a busca ocorreu pois foi detectado um "lote importante de veículos que se encontram ocultos". Flores Trossel acrescentou que a informação veio de uma denúncia anônima e a operação seria parte de uma campanha das autoridades contra a apropriação indébita.

 

O chefe policial indicou que, na propriedade do empresário foram encontrados 24 veículos, todos da Toyota. "Esses veículos têm números de chassis que tornam necessário identificá-los, para estabelecer a legalidade dos mesmos, seu estado, sua documentação", apontou Flores Trossel. "Os proprietários da residência terão que explicar o que fazem esses veículos aqui e por quê não estão em uma concessionária (para venda)", disse.

 

Zuloaga afirmou que a casa, no leste da capital, é a sede de seu escritório privado e serve de depósito "por razões de segurança" para uma distribuidora da Toyota, de propriedade dele mesmo, localizada na vizinha cidade de Valência, "onde já nos roubaram". "Eu não sei se estão tratando de encontrar algo para calar-me. Não vão nos calar", enfatizou, em declarações à Globovisión. O sinal aberto da emissora cobre Caracas e a cidade de Valência. No resto do país, só é possível assistir o canal via cabo, disponível para apensa 20% dos venezuelanos.

 

A operação policial ocorre no momento em que os reguladores do setor de telecomunicações investigam o canal noticioso, sob acusação de incitar "o pânico e a ansiedade" após um forte tremor de terra. A emissora criticou o governo por sua lenta resposta ao problema.

 

Zuloaga mencionou a ameaça de severas sanções realizadas por Chávez contra a Globovisión. O presidente afirmou, em 10 de maio, que os meios privados "podem ter uma surpresinha a qualquer momento. Não se equivoquem. Estão brincando com fogo, manipulando, incitando ao ódio".

 

Chávez atacou diretamente a Globovisión e seu diretor Alberto Federico Ravell. "Esse louco com esse canhão se acabará ou não me chamo Hugo Rafael Chávez Frías", disse. A entidade internacional Human Rights Watch (HRW) afirmou, na quinta-feira, em comunicado, que o governo venezuelano mantém sua perseguição contra a Globovisión e pediu às autoridades que encerrem imediatamente essa investida.

 

Chávez acusa alguns meios de divulgar mentiras contra o governo e promover conspirações e golpes de Estado. O canal privado RCTV, um crítico do governo, não teve sua concessão para a rede aberta renovada em 2007.

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