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Duhalde ameaça Kirchners com candidatura em 2011

Ex-presidente é o principal adversário dos atuais governantes e diz que os 'derrotaria por goleada'

Ariel Palácios, correspondente de O Estado de S. Paulo,

07 de outubro de 2009 | 17h21

BUENOS AIRES - O ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003), o principal inimigo da presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), tumultuou o cenário político argentino ao afirmar que não descarta ser candidato presidencial em 2011. Duhalde, de 68 anos, disse que derrotaria ‘por goleada’ o ex-presidente Kirchner, seu ex-afilhado político, caso seja candidato.

 

Duhalde havia permanecido em silêncio nos últimos anos, coordenando nos bastidores os peronistas dissidentes do governo Kirchner. No entanto, pela primeira vez admite que poderia ser candidato nas próximas eleições. Os analistas ressaltam que a afirmação de Duhalde é praticamente uma declaração de guerra ao casal Kirchner. O ex-presidente conta com o respaldo de setores do sindicalismo, da centro-direita e de centro.

 

“Decidi encarregar-me da reconstrução do peronismo”, disse Duhalde, em referência ao Partido Justicialista, ao qual também pertencem os Kirchners. Um de seus novos apadrinhados, o empresário Francisco De Narváez, no comando dos peronistas dissidentes, infligiu uma dura derrota a Néstor Kirchner na província de Buenos Aires nas eleições parlamentares de junho. A derrota implicou na perda da hegemonia do casal no novo Parlamento, que tomará posse no dia 10 de dezembro.

 

O ex-presidente – que tenta diferenciar-se do estilo de confronto permanente do casal Kirchner - também comparou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o qual possui uma relação de amizade. “Eu, como o Lula, venho do sindicalismo. E por isso sei que as coisas devem ser negociadas e não impostas”, disse, em referência à sua breve atividade sindical no início dos anos 70, quando integrava o sindicato dos funcionários municipais de Lomas de Zamora.

 

Duhalde foi eleito presidente provisório da Argentina no dia 1 de janeiro de 2002. No dia seguinte ele tomou posse para completar o mandato inacabado de Fernando De la Rúa, que havia renunciado duas semanas antes no meio da maior crise social, econômica e financeira do país.

 

Em 2003 Duhalde apadrinhou a candidatura de Néstor Kirchner – um desconhecido governador patagônio – para sua sucessão. Tudo indicava que Kirchner não passaria de um “títere” nas mãos do presidente Duhalde. Mas o novo presidente rapidamente desvencilhou-se de seu padrinho e reduziu drasticamente seu poder. De lá para cá – segundo os analistas - Duhalde aplicou a mesma estratégia que utiliza em seu hobby preferido, o xadrez: esperou, meditou e fez movimentos para tentar aplicar o xeque-mate.

 

Garrafas de leite

 

Há dois meses o ex-presidente Duhalde afirmou que “o governo de Cristina (Kirchner) tem data de vencimento”. O ex-presidente indicou que o prazo dos Kirchners no poder é dezembro de 2011, mês em que conclui o mandato da atual presidente.

 

Na ocasião, Duhalde sugeriu que o casal não deveria tentar prolongar sua estadia na Casa Rosada com uma reeleição. O ex-presidente afirmou que o país está no meio de uma crise “séria” e que é preciso pensar no futuro. “O governo, tal como as garrafas de leite, tem vencimento. E espero que, tal como acontece com alguns produtos, não estrague antes do prazo”, sustentou.

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