E-mails mostram ligação estreita de Chávez com as Farc

Jornal espanhol 'El Pais' divulga cópia de mensagens em que guerrilheiros apresentam manobras do venezuelano

Agências internacionais,

16 de maio de 2008 | 08h22

Trechos da correspondência encontrada nos computadores do líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Raúl Reyers mostram que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, teria proposto ao comandante da guerrilha, Manuel Marulanda, que a Venezuela recebesse os reféns do grupo e os 500 prisioneiros exigidos pela facção. A medida obrigaria a comunidade internacional a pressionar o presidente colombiano, Álvaro Uribe, a negociar e reconhecer a guerrilha como grupo em guerra. As mensagens foram publicadas pelo jornal espanhol El Pais nesta sexta-feira, 16, um dia após a Interpol afirmar que autoridades colombianas não alteraram arquivos em computadores que, segundo o governo colombiano, continham provas de que a Venezuela dava apoio às Farc.  Veja também: Computador de Reyes não foi alterado Chefe da Interpol é um 'vagabundo internacional', diz Chávez  Equador rejeita análise que liga governo às Farc  Os discos rígidos dos computadores teriam sido apreendidos depois de uma operação em um acampamento dos rebeldes das Farc, no Equador, no início de março, e estavam junto com um dos altos líderes das Farc, Raúl Reyes, morto na operação. O presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou que as alegações são ridículas e acrescentou que vai rever suas relações diplomáticas, econômicas e políticas com a Colômbia. As Farc ainda não se pronunciaram sobre os documentos. Segundo as mensagens disponibilizadas no site do jornal, caso as Farc aceitassem que a troca humanitária dos reféns em poder do grupo pelos 500 detidos pelo governo colombiano fosse realizada na Venezuela, Chávez reuniria a comunidade internacional para pressionar Uribe a aceitar o acordo e a reconhecer o grupo como beligerante. Entre os países citados para a manobra estão o Brasil, Argentina, México, Cuba, Equador, Nicarágua, além de França, Espanha e Suíça.  Chávez teria afirmado ainda que as reuniões do grupo negociador com participação de membros das Farc já dariam o status de grupo em guerra para a facção. O presidente venezuelano teria pedido ainda que a franco-colombiana Ingrid Betancourt participasse das negociações - somente se as Farc concordassem. A troca dos reféns pelos prisioneiros seria feita diante da imprensa e da comunidade internacional. Autoridades colombianas, porém, divulgaram e-mails e relatórios com evidências de que membros das Farc seriam treinados em território venezuelano. Outros documentos indicam que Chávez se comprometeu a dar aos guerrilheiros armamento e US$ 250 milhões. A acusação contra o presidente equatoriano, Rafael Correa, é de que ele teria recebido dinheiro das Farc para sua campanha. O Equador e a Venezuela dizem que os contatos com a guerrilha se limitavam às gestões para conseguir a libertação de seus reféns.  Os técnicos da Interpol chegaram a Bogotá em março para analisar a autenticidade dos arquivos de três computadores. Segundo a organização, no total havia 37.872 documentos de texto, 452 planilhas de cálculo, 210.888 imagens, 10.537 arquivos multimídia e 7.989 e-mails. O campo dos rebeldes das Farc atacado por forças colombianas ficava do outro lado da fronteira, já no Equador. O alto líder Raúl Reyes foi morto na operação junto com outras 24 pessoas. O ataque provocou a pior crise regional dos últimos anos e o Equador chegou a romper relações diplomáticas com a Colômbia.

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