'É uma coisa indescritível', diz coronel brasileiro no Haiti

Militar relata clima de medo e desespero nas ruas da cidade devastada por terremoto de terça-feira

Leandro Colon e Rodrigo Rangel, O Estado de S. Paulo

13 de janeiro de 2010 | 20h09

"É uma coisa indescritível. O povo está com medo, dormindo na rua". Ao Estado, o tenente-coronel Carlos Alberto Ferreira dos Santos, integrante da missão da ONU, relatou o cenário de destruição e medo que tomou conta de Porto Príncipe. Ele perdeu todos os seu pertences, destruídos com o desmoronamento do Hotel Montana, onde estava hospedado. "Perdemos tudo, documentos passaporte, eletrônicos, estou com a roupa do corpo", contou.

 

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O coronel, 48 anos, não dorme desde o terremoto de terça-feira. Sempre que pode, busca contato com a mulher no Brasil. Ele é integrante da equipe de logística da missão da ONU no Haiti. No momento da tragédia, estava a serviço, distante do hotel. "Eu estava para retornar ao hotel, mas surgiu uma reunião para tratar de alguns documentos. E ficamos de fora da tragédia", relata.

 

Ele conta a sensação de sentir o chão tremer. "No Brasil, isso é uma novidade. No início, nos pega de surpresa. É uma coisa indescritível", afirmou, sem esconder a preocupação com novos tremores. "A gente fica apreensivo."

 

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Mas o militar, há quase 25 anos na área, aposta numa situação mais animadora para os próximos dias. "A gente tem a previsão de que as coisas devem melhorar com tudo o que está sendo prometido", diz. "O grande problema aqui é o saneamento básico", ressalta. Sua função agora será cuidar da locomoção dos brasileiros na cidade. "Quando ocorre uma calamidade, cada um assume uma função."

 

Oficiais do Exército disseram ao Estado que o número de militares brasileiros mortos na tragédia só não foi maior porque a maior parte do efetivo em ação no Haiti trabalha e dorme em instalações semelhantes a contêineres, fornecidas pela ONU.

 

A principal base dos brasileiros no Haiti, a sede do Brabatt, o Batalhão do Brasil, sofreu apenas danos leves. Lá trabalham 700 dos 1.266 militares brasileiros em ação no país centro-americano. O batalhão está situado numa região de Porto Príncipe conhecida como Tabarre.

 

Nas instalações pré-montadas que servem ao batalhão, funcionam os escritórios e alojamentos utilizados pelo batalhão brasileiro. "Para a nossa sorte, são compartimentos feitos de uma espécie de plástico, que não desabam e não racham", disse o coronel Alan Sampaio, oficial de comunicação da guarnição brasileira.

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