Eleição decisiva em Cuba leva 8,4 milhões de pessoas às urnas

Governo indicou 614 candidatos a 614 cargos no Parlamento; eles irão apontar o novo presidente cubano

AP,

20 de janeiro de 2008 | 19h12

Cerca de 8,4 milhões de cubanos foram às urnas neste domingo, 20, para ratificar seu apoio aos candidatos indicados pelo governo ao Parlamento - incluindo o líder Fidel Castro. A votação faz parte de um processo eleitoral que definirá o futuro político da ilha. A grande incógnita, no caso, não é o nome dos candidatos vitoriosos. Foram apresentados 614 candidatos para 614 cargos e a grande maioria dos cubanos se dizia disposta a dar um "voto único", elegendo todos em bloco.  Veja também:Cubanos elegem parlamento que decidirá futuro de Fidel Fidel Castro vota em casa e escreve carta ao povo cubano  O que ainda está incerto é se esses novos parlamentares apontarão o líder cubano Fidel Castro - que passou o poder para Raúl Castro, seu irmão mais novo, após uma cirurgia de emergência no intestino, em 2006 - como chefe de Estado e do governo cubano.  Raúl, hoje presidente interino da ilha anunciou neste domingo que a decisão será tomada no dia 24 de fevereiro. "Essa votação é muito importante. Estamos elegendo um novo Parlamento numa etapa complexa, na qual temos de enfrentar diferentes situações e grandes decisões, pouco a pouco", disse Raúl, de 76 anos, antes de votar.  Desde 1976, quando foi criado este sistema eleitoral, nunca houve dúvidas de que Castro seria o indicado pelo Parlamento. Por causa do precário estado de saúde em que se encontra o líder cubano, porém, neste ano a Casa poderia optar por Raúl ou qualquer outra figura do governo. "Posso antecipar que vou votar por Fidel", disse o vice-presidente Carlos Lage enquanto votava. "Sem dúvida há avanços em seu processo de recuperação." Fidel votou em sua casa, de acordo com comunicado veiculado pela televisão oficial. Recentemente ele escreveu um artigo dizendo que não está apegado ao poder, nem é contra a chegada de novas gerações ao governo.   Os cubanos também foram às urnas para ratificar 1.201 delegados provinciais. Os eleitores podiam votar um a um, em cada candidato, mas as autoridades cubanas fizeram um intensa campanha defendendo o "voto unido". "Eu aderi ao voto unido por questão de consciência", disse  Fidel, que propôs essa forma de votar em 1993, em um dos piores momentos da crise econômica na ilha. A oposição cubana defende a abstenção e os votos brancos e nulos como forma de protesto e acusam o governo de fazer das eleições uma "farsa" ou "teatro", do qual a população participa apenas "por medo". Fidel, que não aparece em público desde 26 de julho de 2006, se reuniu na última semana com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num encontro gravado pela televisão oficial. Lula assegurou que o líder cubano está com uma "lucidez incrível" e uma "saúde impecável", pronto para assumir seu papel político em Cuba. Há cinco dias, porém, Fidel admitiu que não está capacitado fisicamente para participar de atos públicos e por isso se limita a fazer o que pode: escrever.

Tudo o que sabemos sobre:
eleiçõesCubaFidel Castro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.