Eleição mexicana pode levar ex-governantes de volta ao poder

Os mexicanos vão às urnas neste domingo para eleger um novo presidente, com o partido de oposição que dominou o país por grande parte do passado em boa posição de retomar o poder após os conservadores, que estão no governo atualmente, terem falhado na tarefa de promover o crescimento econômico e interromper uma brutal guerra contra o tráfico de drogas.

DANIEL TROTTA, Reuters

01 de julho de 2012 | 10h46

Doze anos após o Partido Revolucionário Institucional (PRI) ter perdido o poder, pesquisas mostram que o candidato da legenda, Enrique Pena Nieto, tem uma vantagem de dois dígitos sobre seus oponentes, apesar de prolongadas dúvidas sobre o partido.

Manchado por corrupção, fraude eleitoral e surtos ocasionais de brutal autoritarismo durante seus 71 anos no poder, o PRI foi tirado do governo em 2000. Mas a legenda se recuperou, ajudada pelo declínio econômico e uma onda de enfraquecimento das leis que atingiram o México sob o governo dos conservadores do Partido da Ação Nacional (PAN).

As urnas abriram às 8h (horário local), e os resultados das primeiras pesquisas de boca de urna devem sair quando a votação acabar na parte mais ocidental do país, 12 horas depois.

Após tirar o PRI do poder em 2000, o PAN elevou as esperanças de uma nova democracia no México. Mas anos de fraco crescimento econômico e a morte de mais de 55 mil pessoas na guerra do tráfico de drogas desde 2007 derrubaram a popularidade da legenda.

Pena Nieto, ex-governador do Estado do México, aproveitou o momento e se estabeleceu como novo rosto do PRI, com a ajuda de uma cobertura de imprensa favorável, liderada pela maior emissora de televisão do país, a Televisa.

Ele insiste que agora o PRI é um partido adepto da moderna democracia. Enquanto alguns mexicanos ainda não estão convencidos, Pena Nieto conseguiu convencer muitos eleitores de que a legenda aprendeu com os seus erros.

'“O PRI mudou', afirmou Glória Velazquez, uma vendedora de rua de 35 anos da Cidade do México. “Eles aprenderam que precisam deixar mais dinheiro para as pessoas."

Tentando se tornar a primeira mulher a presidir o país, a candidata do PAN, Josefina Vázquez Mota, está na terceira posição nas pesquisas, e o principal concorrente de Pena Nieto, o ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador, também tem um passado que o condena.

Líder de grande parte da corrida presidencial de 2006, López Obrador perdeu por meio ponto percentual para o atual presidente, Felipe Calderón, do PAN, e recusou-se a aceitar a derrota.

Alegando fraude, ele liderou grandes protestos de rua na capital durante semanas, paralisando grande parte da Cidade do México por semanas e causando ira até em alguns de seus próprios eleitores.

Embora sua candidatura atual tenha ganhado força na reta final, quando uma onda de oposição estudantil ao PRI aumentou seu percentual nas pesquisas, as pesquisas sugerem que López Obrador terá menos do que os 35 por cento obtidos em 2006.

(Reportagem adicional de Ioan Grillo e Gabriel Stargardter)

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