Eleições em Honduras começam segunda em clima de pressão

Os seguidores de Zelaya voltaram a pedir hoje aos hondurenhos que rejeitem o processo eleitoral

Efe,

28 de agosto de 2009 | 19h03

Honduras inicia, na próxima segunda-feira, a campanha para as eleições do dia 29 de novembro, dois meses depois da deposição de Manuel Zelaya, que, apoiado pela comunidade internacional, aumenta a pressão para que seus resultados não sejam reconhecidos.

 

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Os seguidores de Zelaya, deposto pelos militares no dia 28 de junho, voltaram a pedir hoje aos hondurenhos que rejeitem o processo eleitoral, porque a comunidade internacional não o aprovará, disse a jornalistas o dirigente popular Juan Barahona.

 

Além disso, segundo reiteraram vários dirigentes do movimento de resistência popular, que, desde o dia 29 de junho, protestam nas ruas exigindo o retorno de Zelaya, o processo eleitoral é considerado viciado, porque será realizado em meio ao golpe de Estado.

 

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), que convocou o pleito no dia 28 de maio, pediu hoje aos partidos e aos candidatos que participarão da disputa de novembro que evitem o confronto durante a campanha, que começará na segunda-feira.

 

O juiz do TSE, David Matamoros, disse a jornalistas que as mensagens divulgadas durante a campanha devem "evitar ao máximo o confronto entre os candidatos e os partidos".

 

Acrescentou que as mensagens devem ser "diretamente dirigidas a tentar orientar a família hondurenha à unidade" e para que os eleitores busquem "quem pode ter a melhor proposta eleitoral".

 

O atual presidente de Honduras, Roberto Micheletti, que, por designação do Parlamento, substituiu Zelaya, disse hoje que as Forças Armadas garantirão a segurança no pleito de novembro.

 

Micheletti disse que, recentemente, analisou com os chefes militares os planos de segurança do país e que, no que diz respeito às eleições gerais, "vai haver segurança e proteção a todos os cidadãos que votarão no dia 29 de novembro".

 

Todos os hondurenhos devem votar em novembro para escolher um novo presidente e demonstrar "ao mundo inteiro que estamos atuando com democracia e com responsabilidade", afirmou Micheletti.

 

Nas eleições de novembro, cinco partidos políticos se candidatarão: o Liberal, no poder; o Nacional, primeira força de oposição; a Democracia Cristã, o Inovação e Unidade-Social Democrata e o Unificação Democrática, de esquerda.

 

Além destes, o partido independente do dirigente popular Carlos Reyes também participará das eleições.

 

O movimento popular que apoia Zelaya iniciou, na quinta-feira, uma campanha contra as eleições, para que a comunidade internacional não reconheça os resultados, se o presidente deposto não for restituído no poder.

 

Micheletti também reiterou hoje sua disposição de renunciar à Presidência se Zelaya desistir de retornar ao país para se reinstalar no poder, o que significa que uma terceira pessoa deverá assumir o cargo, de acordo com a Constituição hondurenha.

 

"Se não seguir nesta disputa em que entrou, nós podemos fazer o mesmo pela paz e pela tranquilidade do país", disse.

 

A proposta, que Micheletti apresentou pela primeira vez dias após ter assumido a Presidência, foi exibida hoje também à Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, pela comissão que representa seu Governo no diálogo mediado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias.

 

A comissão de chanceleres da OEA que visitou Honduras esta semana também escutou a proposta vinda do próprio Micheletti, na terça-feira.

 

Micheletti mencionou a iniciativa novamente, ontem à noite, à bancada do Partido Liberal no Parlamento, em reunião na Casa Presidencial, informaram deputados que participaram do encontro.

 

Os seguidores de Zelaya reiteraram hoje que sua luta pela restituição do líder de Estado deposto continua, além da busca pela instalação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

 

Unasul

 

O golpe de Estado em Honduras gerou um atrito entre o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e outros participantes da Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

Uribe disse no plenário que "há maniqueísmo" em torno do golpe de Estado em Honduras "com intervenções seletivas", comentário pelo qual a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, pediu esclarecimentos. "Não pode haver intervencionismos maus ou bons, todos são graves e a Colômbia está ameaçada por um intervencionismo político", respondeu Uribe.

Em seu discurso, Cristina considerou que "o de Honduras não é um fato menor" quando "se vê que sequestraram" o presidente constitucional Manuel Zelaya, no dia 28 de junho, e "o aterrissaram" na base americana de Palmerola em Honduras, para levá-lo depois à Costa Rica.

Cristina afirmou que o Governo de Roberto Micheletti "maltratou" de forma "ostensiva" a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) e "rejeita" o "acordo da Costa Rica" e a mediação do presidente Oscar Arias, de quem destacou sua imparcialidade.

Já o governante equatoriano, Rafael Correa, presidente temporário da Unasul, concordou com a necessidade de tomar "medidas um pouco mais contundentes para tentar que a democracia retorne a Honduras".

Por sua parte, a chilena Michelle Bachelet sugeriu a Correa que, durante a próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, convoque os presidentes da Unasul "para ver o que mais se pode fazer sobre Honduras".

 

Luto

 

O líder deposto de Honduras, Manuel Zelaya, enviou hoje ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, uma carta na qual expressa suas condolências à família do falecido senador Ted Kennedy. Na carta, fornecida pela Embaixada de Honduras em Manágua à Agência Efe, Zelaya reconhece "o legado de Kennedy na busca de uma sociedade mais justa e aberta, através das reformas de imigração e saúde, no respeito aos valores democráticos fundamentais que deram forma aos EUA".

Zelaya qualifica o senador Kennedy como "um guarda da democracia, respeitoso aos direitos humanos e às liberdades sociais, não só nos EUA, mas no mundo, especialmente na América Latina". "Meu país sempre levará em conta as obras do senador Kennedy", disse Zelaya, que solicitou a Obama "transmitir nosso pesar à família Kennedy e àquelas pessoas que lamentam sua perda".

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