Eleições hondurenhas deverão formalizar golpe de Estado

Washington, que prometeu não reconhecer as eleições, agora parece ter decidido que tem poucas opções

Agência Estado e Associated Press,

28 Novembro 2009 | 08h35

As eleições de domingo em Honduras provavelmente conseguirão o que o regime golpista tenta fazer há cinco meses: acabar com a carreira política do presidente esquerdista deposto José Manuel Zelaya e substituí-lo por um líder moderado que responda à elite local.

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Washington, que prometeu não reconhecer as eleições a menos que Zelaya fosse restaurado ao cargo, agora parece ter decidido que tem poucas opções e fará exatamente isso.

"No final, o golpe ganhou", destacou Heather Beckamn, uma analista política da América Latina, do think-tank Eurasia Group, em Nova York. "Foi algo nefasto que não deveria ter acontecido, mas no final não havia mais nada a fazer", agregou.

Milhões de hondurenhos pobres depositavam suas esperanças nas políticas esquerdistas de Zelaya numa nação dominada por uma elite endinheirada. Mas agora não têm candidato presidencial que os represente: o único candidato que apoiava Zelaya se retirou da disputa no mês passado sob a alegação de que sua participação daria respaldo ao golpe.

Os principais candidatos pertencem aos dois partidos que votaram ostensivamente no Congresso em apoio ao golpe contra Zelaya, inclusive um deles ajudou Zelaya a ser eleito antes de se voltar contra o mandatário.

Zelaya, que foi deportado por soldados em 28 de junho, regressou clandestinamente a Honduras três meses depois e desde então permanece abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. O mandato de Zelaya termina em janeiro e a Constituição local proíbe a reeleição.

Inicialmente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, denunciou o golpe, o primeiro na América Central em quase duas décadas, e disse que os EUA não reconheceriam nenhuma eleição que fosse feita sob um governo instalado pelos golpistas.

Zelaya escreveu a Obama, perguntando ao mandatário dos EUA, por que Washington mudou de posição, e instou os líderes da América Latina "a que não adotem posições ambíguas ou imprecisas semelhantes à demonstrada pelos Estados Unidos". Muitos governos de tendência esquerdista da América Latina insistem em que a eleição de domingo equivale a uma legitimação ao golpe em Honduras.

"Nos parece lamentável que se deseje limpar um golpe de Estado com um processo eleitoral realizado num país que esteve virtualmente sob estado de sítio nos últimos meses", destacou na terça-feira o principal assessor para assuntos internacionais do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, sobre a posição dos EUA.

Muitos hondurenhos simplesmente desejam votar e deixar a crise para trás, enquanto outros participam de um boicote em protestos pelos meses de disputa, durante os quais manifestantes simpatizantes de Zelaya foram presos e os golpistas promoveram o fechamento temporário de emissoras de rádio e de televisão.

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