EFE/Martin Alipaz
EFE/Martin Alipaz

Evo lidera eleições, mas resultados provisórios indicam 2º turno inédito

Nova votação será um grande desafio para o chefe de Estado há mais tempo no poder na América Latina, que enfrentará uma oposição unida contra ele

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2019 | 21h42

LA PAZ  - O presidente da Bolívia, Evo Morales, obteve 43,9% dos votos, enquanto o ex-presidente Carlos Mesa conquistou 39,4%, apuradas 100% das urnas em uma contagem rápida. De acordo com os resultados divulgados pelo Tribunal Supremo Eleitoral, os dois candidatos disputarão um segundo turno dentro de 60 dias, pois nenhum obteve 50% dos votos ou 40% mais uma diferença de 10 pontos sobre o segundo mais votado. Os resultados são provisórios e os definitivos devem demorar alguns dias.

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Um segundo turno é prejudicial para Evo, que enfrentará uma oposição unida. Pesquisas apontavam um leve favoritismo de Evo sobre Mesa e indicavam que, ao contrário das três últimas eleições, desta vez ele não teria uma vitória tranquila garantida, algo inédito para o presidente, que há mais tempo está no poder na América Latina.

“Estamos no segundo turno, é um triunfo inquestionável”, declarou Mesa, de 66 anos, a jornalistas e seguidores diante da sede de seu partido. Ele exortou suas bases a unir fileiras para um “triunfo definitivo” no segundo turno, cuja data ainda não está definida.

Evo, de 59 anos, apresentou suas conquistas sociais e econômicas durante a campanha, mas também foi afetado por escândalos de corrupção e acusações de uma guinada autoritária. Evo desafiou os limites de mandato e os resultados de um referendo nacional para buscar um quarto mandato consecutivo. 

Após votar em Chapare (Departamento de Cochabamba), o presidente expressou confiança e otimismo. “Acabo de votar e aproveito esta oportunidade para convocar o povo boliviano a participar nesta festa democrática.”

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Mesa se reuniu no sábado com observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) para expressar suas dúvidas sobre a transparência da votação, acusando o Tribunal Eleitoral de parcialidade. Ontem, ao votar, Mesa reiterou seus temores. “Não confio na transparência do processo, o Tribunal Supremo Eleitoral demonstrou que é um braço operacional do governo, nossa desconfiança é muito alta”, afirmou à imprensa depois de depositar seu voto em um bairro da zona sul de La Paz.

A cientista política María Teresa Zegadam afirmou que “o poder substituiu as políticas em benefício de toda a população por outras que satisfazem apenas alguns setores” e denunciou a “perseguição aos líderes da oposição”. “Tudo isso cria um mal-estar cidadão e o sentimento de que a democracia está em perigo.”

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Seja quem for o vencedor do segundo turno, terá que fazer escolhas difíceis, já que o crescimento econômico diminui com a queda nas exportações de gás natural e um déficit fiscal que aumentou para 8% do produto interno bruto. Não foram encontradas novas reservas de gás natural desde que Evo assumiu o cargo e seus esforços para transformar a Bolívia em um produtor global de lítio enfrentaram repetidos adiamentos e resistência de algumas comunidades locais. / AFP e REUTERS

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