Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Eleições regionais podem alterar o mapa político da Venezuela

Pleito é teste para 'revolução' de Chávez , que pode perder até sete dos 20 Estados que seu partido controla

Agências internacionais,

21 de novembro de 2008 | 07h41

 Cerca de 17 milhões de venezuelanos foram convocados no dia 23 de outubro para eleger as autoridades regionais e municipais que governarão pelos próximos quatro anos numa disputa que pode alterar o mapa político do país. A importância menor que habitualmente desperta esse tipo de votação ganhou um impulso incomum, com a expectativa impulsionada também pelo presidente Hugo Chávez, que chegou a afirmar durante a campanha que uma vitória da oposição provocaria um clima de violência no país, ameaçando até colocar tanques nas ruas.   Veja também: A dinastia Chávez  Processos eleitorais na Venezuela na presidência de Chávez Clã Chávez é ameaçado de derrota eleitoral em terra natal 'Eleição é luta do socialismo contra o capitalismo, diz irmão de Chávez' Enviada relata clima de tensão antes da disputa Ruth Costas fala da disputa em Estado de Chávez  Hugo Chávez retém recursos, acusam rivais na eleição Anti-chavista diz ao 'Estado' que não teme ameaça    No domingo, 22 governadores e 328 prefeitos serão eleitos em 11.500 centros de votação, além de 233 legisladores regionais. No total, 603 cargos de representação popular estão em jogo, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A maioria das pesquisas apontam para uma mudança no mapa político em que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), criado no ano passado pelo presidente Hugo Chávez, não poderá manter os 20 governadores que chegaram ao poder em 2004.   A partir de dezembro de 2006, as pressões de Chávez para que todos os seus apoiadores ingressassem no PSUV provocou dissidências que lhe tiraram o controle de cinco Estados (Aragua, Carabobo, Guárico, Sucre y Trujillo), além de outros dois (Nueva Esparta y Zulia), nas mãos da oposição. Analistas locais acreditam que esse novo cenário de poder será ratificado nesta disputa, ainda que exista a possibilidade de mudanças pontuais imprevistas.   Autoridades militares se encarregarão de garantir a segurança com a mobilização de 140 mil soldados e reservistas que vigiarão os centros de votação na jornada eleitoral, quando está proibido o porte de armas e a venda de bebidas alcoólicas. Como toda a infra-estrutura eleitoral funciona com eletricidade, as forças armadas também vigiarão as estações geradoras de energia, entre os planos previstos para evitar apagões como os ocorridos recentemente ou até mesmo atos de sabotagem. Mais de 95% dos centros eleitorais contarão com urnas eletrônicas de voto, cuja confiança, precisão e transparência foram verificadas em diversas ocasiões por observadores e instituições internacionais.   Uma das características desta consulta popular é a importância que o governo e a oposição outorgam à "logística", mediante a qual incentivam que a grande maioria de seus apoiadores vote. No caso do PSUV, por exemplo, as bases do partido estão organizadas, seguindo um padrão militar, em milhares de patrulhas, cada uma das quais tem designado um número de pessoas as quais devem "auxiliar" a votar. Esse apoio implica em meios de transporte, alimentação, necessidades básicas, primeiros auxílios e tudo necessário para que, a espera nas grandes filas seja tolerável e qualquer emergência seja atendida.   Porta-vozes dos dois grupos expressaram preocupação com o tempo que cada cidadão pode levar para votar, dada a complexidade da disputa em algumas regiões. Em alguns municípios da capital venezuelana, os eleitores terão de votar em nove cargos. Para evitar confusão, os partidos deram para seus seguidores "colas" para serem copiadas durante o preenchimento dos votos. O CNE aprovou o uso das "colas" porque elas agilizam o processo sem aparentemente menosprezar os direitos do eleitor. Pelo menos 130 convidados internacionais, pertencentes a grupos como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e outras de nível eleitoral, principalmente da América Latina, observarão a votação, segundo a CNE.   A maioria das pesquisas coincide que a participação pode ser maior do que as historicamente registradas nas disputas regionais, chegando a 60%. O CNE tem previsto emitir o primeiro boletim de urna algumas horas depois do fechamento das urnas, e Chávez advertiu que fechará os veículos de imprensa que, violando a lei, divulgares resultados próprios antes do organismo eleitoral soltar números oficiais.   Revolução bolivariana   As eleições regionais do próximo domingo na Venezuela estão sendo consideradas como um termômetro que medirá os resultados da "revolução bolivariana", em curso há quase uma década sob a liderança do presidente Hugo Chávez. O tom da disputa foi colocado pelo próprio presidente venezuelano. No lugar de discutir problemas locais, como a criminalidade crescente, saneamento, saúde e educação, Chávez converteu a campanha em um plebiscito, cujo resultado colocaria em risco o "futuro da revolução". "Nós estamos jogando o futuro da revolução, o futuro do socialismo, o futuro da Venezuela, o futuro do governo revolucionário e também o futuro de Hugo Chávez", afirmou o presidente venezuelano em um comício de campanha.   Segundo a BBC, o desafio do governo será reconquistar cerca de 3 milhões de eleitores que não votaram no referendo da reforma constitucional do ano passado, fator determinante para a primeira derrota do governo em quase 10 anos de gestão. Para alcançar este objetivo, Chávez teria optado por utilizar sua popularidade, que supera 50% de aprovação, para transformar o pleito - que contou com o uso explícito da máquina do governo - em uma espécie de plebiscito.   À frente da campanha, o presidente radicalizou o tom de seus discursos e ameaçou colocar seus adversários na cadeia, acusando-os de corrupção à frente dos governos regionais. Manuel Rosales, atual governador de Zulia e candidato à prefeitura de Maracaibo, foi convertido no principal adversário da "revolução" durante a campanha.   Se as pesquisas se confirmarem, Rosales será eleito no domingo e manterá o reduto da oposição neste Estado. Chávez também advertiu os meios de comunicação e ameaçou "retirar do ar e cancelar a concessão" daqueles canais que divulgarem resultados antes do boletim oficial do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Tudo o que sabemos sobre:
Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.